JIM MORRISON - POETA
sábado, 10 de outubro de 2009
Carta de Jim Morrison ao Professor Wallace Fowlie
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
HWY a extensão da jornada do Herói
"Ele não era um ator; não era um apresentador; não era um comediante. Era um Xamã. Ele era possesso."
Ray Manzarek
I first felt the need to write a review of Jim Morrison's art film, "HWY," after I read two online ratings giving it a 1 and a 3 out of 10. Primeiro eu senti a necessidade de escrever uma resenha sobre a arte de Jim Morrison, a arte cinematográfica, sobre o HWY, depois de eu ler duas classificações online dando-lhe um
In this artistic context we are given "HWY" without a knowledge of how much he felt he achieved of his vision in this unfinished work. Neste contexto artístico que são dadas "HWY" sem um conhecimento de quanto ele se sentia atingido em sua visão neste trabalho inacabado. Unless there are written records or friends with memories of his comments, we do not know how much he felt he accomplished in this piece. A menos que existam registros escritos ou amigos com lembranças de suas observações, não sabemos o quanto ele se sentia realizado nesta peça. There is obviously genius in evidence here, but was it just an initial exploratory dabbling, or did he achieve 20% of what he envisioned, or 80%? Existe obviamente gênio em evidência aqui, mas foi só um dabbling inicial exploratório, ou que ele atingiu 20% do que ele imaginou, ou 80%? While there is some legitimacy in the concept that he just wanted to take the camera and see where it took him, just as he liked to do in the improvisational sections of the concerts, there is nevertheless a direction and a carefully crafted element to the film as well. Embora exista alguma legitimidade no conceito de que ele só queria tomar a câmera e ver onde ele levou-a, tal como ele gostava de fazer na improvisadas camadas de concertos. Existe, no entanto, um sentido e um elemento cuidadosamente concebidos para o filme ser tão bom.
Interpretation of the film is not possible without some familiarity with the use of symbolism in art. A Interpretação do filme não é possível sem alguma familiaridade com o uso de simbolismo na arte. In making "Wilderness, The Lost Writings of Jim Morrision," Lisciandro makes reference to the fact that he wanted to choose the poems that were accessible to the average music fan who was curious about the poetry. Ao fazer "Wilderness, The Lost Writings de Jim Morrision", Lisciandro faz referência ao fato de que ele queria escolher os poemas que estavam acessíveis à média dos fãs de musica e que estavam curiosos sobre a poesia. But this is obviously not adequate, because if we eliminate the deeper material, we only become familiar with Jim's work at its lightest and easiest and miss out on his deepest and most profound work. Thus with Morrison poetry being taught in college, there is need for a definitive and comprehensive book of all his poetry. Mas este é, obviamente, não o suficiente, porque se se eliminar o material mais profundo, só se familiarizará com o trabalho de Jim à sua leve e mais fácil expressão e deixará escapar o seu mais profundo e mais denso trabalho. A poesia de Jim Morrison assim sendo ensinada na faculdade, não há necessidade para um livro definitivo e abrangente de toda a sua poesia. Likewise, with "HWY" being somewhat difficult and inaccessible, it nevertheless needs to be addressed to fully understand the depth of Jim Morrison as an artist. Da mesma forma, com "HWY" será um pouco difícil e inacessível, e, no entanto, tem de ser resolvida para poderem compreender a profundidade de Jim Morrison como um artista.
In comparative literature we are taught that nothing exists by itself, but only in comparison to something else. Na literatura comparada somos ensinados que nada existe por si só, mas só em comparação com qualquer outra coisa. So the first clue as the movie opens is that Jim is in the desert, but we are shown a waterfall. Portanto, a primeira pista que abre o filme é que Jim está no deserto, mas temos mostrado uma cachoeira. So, desert represents death, water represents life, and the waterfall, the fountains of life. Então, deserto representa a morte, a água representa vida, e da cachoeira, as fontes da vida. When we first see Jim, he is immersed in water, a symbol of the womb, and his emergence from the water represents birth. Quando nós primeiramente vemos Jim, ele está imerso em água, um símbolo do útero, e o seu aparecimento a partir da água representa o nascimento. MúsicaTribal music here, contrasted to civilized music later, suggests the birth of a shaman. Tribal aqui, contrastada com a civilizada música mais tarde, sugere o nascimento de um xamã.
We then see images of Jim basking in the joy of life, and then he undertakes a journey. Vemos então imagens de Jim em sua mais expressiva alegria da vida, e então ele se compromete à viagem. One of the common complaints about the film are these long passages of shots of Jim's journey. Uma das queixas comuns sobre o filme são essas longas passagens de Jim na viagem. There has been some comment that this is just Jim's working in the milieu of his time where these long passages were typical of art house cinema of the time.Muitos comentam que este trabalha que Jim fazia era justamente a imagem de seu tempo onde estas longas passagens eram típicas da arte cinematográfica da época. But it is more than that. Mas é mais do que isso. The version of "2001 - A Space Odyssey" that was commonly shown was a shortened version. A versão do "2001 - A Space Odyssey", que era comumente mostrado foi uma versão abreviada. The first version released contained long, boring shots of the space ship traveling through space. A primeira versão liberada era longa e contida, aborrecidos takes da nave espacial que viaja através do espaço. Kubrick's intent was to illustrate the immensity of space and how long it takes to engage in space travel. A intenção de Kubrick era ilustrar a imensidão do espaço e quanto tempo demora para iniciar a viagem espacial. This is based on Homer's "The Odyssey" where the same effect was used to illustrate the immensity of the ocean and how long it takes to engage in sea travel. Isto é baseado na Odisséia de Homero, onde o mesmo efeito foi usado para ilustrar a imensidão dos oceanos e quanto tempo demora para iniciar a viagem marítima. But the audiences didn't get it, and so they had to withdraw the initial print and shorten it. Mas o público não gostou, e assim eles tiveram de retirar a primeira impressão e encurtar ele.
In "HWY," the lengthiness of the journey is also deliberate, but it serves multiple and different functions. Em "HWY," a extensão da jornada também é deliberada, mas que serve de múltiplas e diferentes funções. The first clue is to get you to understand that this story is about a journey, so Jim had to make the journey passages long enough to make sure you got the point. A primeira pista é levar você a compreender que esta história é sobre uma viagem, de modo Jim teve de fazer a viagem por passagens do tempo, o suficiente para se certificar que você pegou o ponto. Any shorter, and it would have looked like just another scene. Se fosse qualquer um teria parecido apenas outra cena. More specifically, in artistic terms, it is about the hero's journey. Mais especificamente, em termos artísticos, é sobre o herói da jornada. Since the days of the story of Prometheus breaking on through to the other side to steal fire from the gods and bring it back to earth to benefit mankind, the genre of the hero's journey has always been about crossing the threshold to the divine and bringing back something for mankind. Desde os tempos da história de Prometeu, quando ele atravessa até o outro lado para roubar fogo dos deuses e trazê-lo de volta à Terra, para beneficiar a humanidade, o gênero do herói da jornada foi sempre sobre a passagem do limiar ao divino e trazer de volta algo para a humanidade. This is what Jim does when he breaks on through and brings his music and poetry back for our benefit. For an introduction to this concept, Joseph Campbell has published some excellent work on this matter. Isto é o que faz quando Jim rompe através e traz em sua música e a poesia volta para nosso benefício. Para uma introdução a este conceito, Joseph Campbell, que publicou um excelente trabalho sobre este assunto. For a brief treatment, see: Remeto-os à leitura de seu livro:
The Hero with a Thousand Faces O Herói com uma Mil Faces
For a more thorough treatment, see:
Para um tratamento mais aprofundado, ver:
Transformations of Myth Through TimeTransformações do Mito Através do Tempo
So, while I already gave away the ending (did you catch it?), as they say, the journey is often more important than the destination, so let's see what else is here. Então, enquanto eu já dei o roteiro (você pegou?), como se costuma dizer, a viagem é muitas vezes mais importante do que o destino, por isso vamos ver o que mais está aqui. The film is called "HWY," but is subtitled "An American Pastoral." O filme chama-se "HWY," mas é legendado "An American Pastoral". This is another exercise in contrasts, the bleakness of a highway and the beauty of nature. Este é um exercício de contrastes, a frieza de uma rodovia e da beleza da natureza. Perhaps that is why Jim insisted the movie is called "HWY," not "HIGHWAY," because something is missing besides the letters. Talvez seja por isso que insistimos que o filme de Jim é chamado de "HWY", não "AUTOESTRADA", porque alguma coisa está faltando, além das letras. The sirens sounding over the highway shots on the opening credits suggest an invalid authority is a contributor to the bleakness of man-made society. As sirenes auscultação sobre a rodovia tiros sobre a abertura, e créditos sugerem uma autoridade é um contributo válido para a frieza do homem-na-sociedade. So the next function of the journey passages is to give a sense of the beauty and serenity of nature. Portanto, a próxima função da viagem nessa passagens é dar um sentido da beleza e serenidade da natureza. It is important that this section was long in order to build the sense of serenity and beauty to form a strong enough contrast to the bleakness of the highway and city sections. É importante que esta secção fosse longa, a fim de criar a sensação de serenidade e beleza de uma forma suficientemente forte, em contraste com a frieza da rodovia e da cidade seções.
So we are done with that; let's move on to the highway section. Então, nós estamos com esse feito, vamos passar à seção rodovia. It starts out with Jim's hitchhiking, but no one picks him up, a sort of bleak commentary on man's inhumanity to man. Começa com a carona de Jim, mas ninguém escolhe... uma espécie de desolador comentário sobre a desumanidade do homem para o homem. As an aside, the scene of Jim getting out of the car in the sand adds another element of commentary. Como uma parte, a cena
Then Jim arrives at the accident scene with the dying coyote. Em seguida, Jim chega ao local do acidente com o coiote morto. Tourists pass through like he and his family in his childhood. Os turistas passam por que ele e sua família com as crianças. A frightened dog reflects his statement that he felt fear for the first time. Um cão assustado reflete a sua afirmação de que ele sentiu medo pela primeira vez. In the shamanism section of "Break on Through," Riordan and Prochnicky state that after the hero breaks on through to the other side, an animal guide often accompanies the hero on his journey, which agrees with Joseph Campbell's work, as I recall. No xamanismo, na seção de "Break on Through" de Riordan Prochnicky, é o estado e que, após o herói através de pausas para o outro lado, um guia animal freqüentemente acompanha o herói em sua jornada, o que concorda com o trabalho de Joseph Campbell. The shamanism section also discusses the importance of intense drumming, and as the camera zooms in on the coyote, the drumming reaches a fever pitch, and when the coyote gives his death scream, Jim also screams with the madness of its spirit entering him. Na mesma seção “O xamanismo” também se discute a importância da intensa percussão(batida), e como a câmera em zoom sobre o coiote, o tambor chega a um arremesso frenético. E quando o coiote dá o seu grito de morte, Jim também grita com a loucura do seu espírito entrar nele.
O outro ponto na seção xamanismo é que dois dos três modos de criação de um xamã espiritual ocorre com o xamã do encontro com a morte, nem a sua própria quase-morte, ou em um encontro com a morte do outro. Nesse ponto Jim começa a utilizar uma técnica de dupla utilização de iteração para ilustrar significados.
For example, on the theme of an animal guide, we have first the dead coyote, then we have the soundtrack feature a song about a "strange black bird," "circling over me," "gonna set me free." Por exemplo, sobre o tema de um animal guia, temos primeiro o coiote morta, então temos a trilha sonora característica numa canção sobre um "estranho pássaro preto", "circulando sobre mim", "vai definir-me livre". On the theme of an encounter with death, first we have the dying coyote, then we have the driver of the Mustang that he killed. Sobre o tema de um encontro com a morte, em primeiro lugar, temos a morte do coiote, então temos o condutor do Mustang que ele matou. On the theme of a guide, again we have the song about the bird, then we have Jim reading a map to illustrate guidance. Sobre o tema de um guia, mais uma vez temos a canção sobre o pássaro, então temos uma leitura do mapa para ilustrar orientação de Jim.
The question arises, why did Jim kill the Mustang driver? A pergunta surge: porque Jim mata o motorista do Mustang? Obviously Jim is not the killing type, as reflected by his discomfort with the song, "Tell All the People." Jim Obviamente não é o tipo de assassinato, o que é refletido pelo seu incômodo com a canção, "Tell All the People". So what is he saying here? Então, o que é que ele está dizendo aqui? The explanation, which doesn't come until the end of the film, is that he couldn't deal with what the driver was saying. A explicação, que não vem até o final do filme, é que ele não podia lidar com aquilo que o condutor estava dizendo. This is an indirect reference to the Oedipal theme, indirect because it makes no reference to it and it contains none of the other overtones. Esta é uma referência indireta ao tema Edípico, indireto porque não faz referência a ele e ele não contém nenhum dos outros subtextos.É simplesmente uma continuação do que tem sido explorado anteriormente sobre o significado de matar pai, significando que está sendo destruindo tudo o que está dentro de você que é falso e foi-lhe imposta de fora. Por outro lado, se olharmos para o filme como um todo e não tendo esta cena em condições de isolamento e, em seguida, todo o trabalho pode ser visto como uma declaração Edípica de Jim, com a natureza nas cenas da primeira metade se sobre a bondade da mãe, e os homens-fabricados a partir de trechos da rodovia em diante representando a coisas negativas impostas sobre a terra por uma sociedade dominada pelos pais.
Continuing the technique of double illustration, the madness and mental derangement in the creation of this shaman is illustrated first by the madness of killing the Mustang driver, and secondly by the madness of whirling the Mustang in circles. Continuando a técnica da dupla ilustração, a loucura e transtorno mental na criação desta xamã é ilustrada pela primeira loucura de matar o condutor do Mustang, e, por outro, a loucura do redemoinho do Mustang
As he begins to approach civilization, we see humanity through the shaman's eye, which is a view endowed with vision and wisdom which is more profound than our mundane views. Como ele começa a abordagem da civilização, vemos o xamã da humanidade através dos olhos, que é um olhar dotado de visão e sabedoria, que é mais profundo do que as nossas opiniões mundanas. So look and watch what the divine eye has to reveal to you about humanity. Então, olha e vê o que o olho divino tem para revelar a você sobre a humanidade.
As he arrives in the human habitat zones, there is a variety of music styles to reflect the diversity of humanity in the double illustrative technique again. Como ele chega nas zonas do habitat humano, existe uma variedade de estilos musicais de modo a refletir a diversidade da humanidade na dupla ilustrativa da técnica novamente. Further analysis could probably be made of each type of music, but two are of note. Uma análise mais aprofundada poderia provavelmente ser feita de cada tipo de música, mas dois são dignos de nota. We first see the poor black section with its black gospel and blues music which were early forms important in Jim's musical development. Primeiro, ver o ponto negro pobre com a sua música black gospel e blues, que foram importantes no início do desenvolvimento das formas musicais de Jim
As he approaches the affluent white area, the music changes to emptiness of Sinatra's "My Way" and cerebral, cultured, but empty and cold classical music, illustrating the lovelessness of the Establishment that the love generation rebelled against. Como ele aborda o afluente da área branca, a música muda para vacuidade de "My Way" de Sinatra, cerebral, culta, mas vazia e fria música clássica, o que ilustra o desamor da Instituição que a geração do amor se rebelou contra.
When he arrives at his destination, he reveals the motive for the killing, and talks about it in detached matter-of-fact tones, as though it were nothing. Quando ele chega ao seu destino, ele revela o motivo para o abate, e fala sobre ele em desanexadas prosaico tons, como se fosse nada. Of course, if it were not a literal killing, but rather the purging of that which is within, then actually it is nothing, except to himself. Claro que, se não fosse um matar literal, mas sim a purga do que está dentro, então ele realmente não é nada, exceto a si próprio.
I am not sure what to make of the scene on Jim walking out on a roof ledge. Most of the accounts of this behavior of Jim's seem to take it as a crazy and foolish antic. Não sei o que fazer com a cena de Jim andando sobre um telhado sobre a elevação. A maioria das versões sobre este comportamento de Jim parece tê-lo como um louco e insensato Velho. But for it to be included in his movie right at the climax seems to indicate that it had more significance to him. Mas para que ela seja incluída em seu filme direito no clímax parece indicar que ele tinha mais significado para ele. Perhaps it was no more than a part of his feeling about the importance of deranging the senses to break on through. Talvez não era mais do que uma parte do seu sentimento sobre a importância perturbadora dos sentidos nessa passagem. This would harmonize with the quest for sex and LSD in the closing scenes. Esta seria harmonizar com a busca por sexo e LSD no fechamento cenas.
As cenas finais são da vida noturna de Los Angeles e da cena nas boates. This is where the shaman gives the fire he stole from heaven to the people of the earth, where Jim Morrison worked with The Doors in night clubs to bring his vision to the people. Isto é, onde o xamã dá a ele o fogo roubado do céu para o povo da terra, onde trabalhou com Jim Morrison The Doors em casas noturnas para levar a sua visão para o povo. One interesting vision precedes Osama bin Laden by 30 years. Uma interessante visão antecede o Osama bin Laden até 30 anos. He said he got the inspiration for the September 11 attacks by watching TV scenes of buildings being destroyed by bombs in the middle east and thought how wonderful it would be if America could experience cities being bombed. Ele disse que teve a inspiração para os ataques de 11 de Setembro de ver na televisão cenas de edifícios sendo destruídos por bombas no Oriente Médio e pensou como seria maravilhoso se pudesse experienciar as cidades Americanas sendo bombardeados. In the closing scene we hear the sounds of bombs falling on Los Angeles like they were falling in Vietnam. No encerramento ouvimos cenas e os sons de bombas caindo
This is what the film says to me without knowledge of anything Jim or those who worked on it with him have said about it. Isto é o que o filme diz-me, sem saber de nada sobre Jim ou aqueles que trabalharam com ele e no que disse sobre ele. Perhaps these people have information which would change some of these perspectives. Talvez essas pessoas tenham as informações que possam alterar algumas destas perspectivas. Maybe some would say this whole article is nonsense. Talvez alguns diriam que todo este artigo é um ilusão. But to all those (another thing I learned in college) even the academics have an answer: the artist receives inspiration at the feet of the Muses, and even the artist himself does not perceive or completely understand everything he is receiving! Mas, para todos aqueles (outra coisa que eu aprendi na faculdade), mesmo os acadêmicos têm uma resposta: o artista recebe inspiração aos pés das Musas, e até mesmo o próprio artista não percebe ou compreende completamente tudo o que está recebebendo!
John Kolak is a graduate of the Department of Humanities and Comparative Literature at Brigham Young University. John Kolak é graduado pelo Departamento de Ciências Humanas e Literatura Comparada na Universidade Brigham Young, EUA.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Jim Morrison era poeta e filósofo - diz Manzarek
Folha de São Paulo
Luiz Antônio Giron
Da Reportagem Local
Sua lírica era repleta de excessos e de signos da Antiguidade.
Manzarek - era um intelectual na acepção verdadeira do termo. Estudava e recitava William Blake, Friedrich Nietzsche, Sartre, Rimbaud, Kerouak...Aprendi muito com ele. Era, como eu, um existencialista e um interessado nas manifestações espirituais do Oriente, como o budismo e a religião indígena. Jim mostrou o lado selvagem e negativista do pop.
A pergunta que você acaba de fazer é antiquada porque lembra a época em que os Doors estavam na ativa, e os intelectuais não se conformavam de ver um colega de cátedra rebolando. Tim tinha aqules pernas lindas que exibia com as calças apartadas de couro e era poeta e filósofo.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
LIVRO SOBRE O POETA JIM MORRISON

Professor lança livro sobre o POETA JIM MORRISON. O livro é maravilhoso. O Navio de Cristal fala de amor, sexo-êxtase, alquimia, xamanismo, Dionísio, loucura, perda de identidade, O caos, do político erótico (linda interpretação. Uma frase famosa de Jim), o fim, o presente eterno, o super-homem, sobre o que temos feito de nossas vidas, do mito, da embriaguês, do mistério, poesia, literatura. Vida.
- The End. Uma composição extremamente complicada, de difícil intelecção, emblemática, arcanos a serem desvendados. Veja que mistérios estão por trás dessa letra.
- O Ônibus azul: a verdadeira história dessa enigmática e simbólica passagem.
- O Navio de Cristal: Jim inspira-se nos antigos mitos da tradição nórdica. Todo o significado dessa brilhante e belíssima letra.
- The Wasp: Jim vai as origens para falar de um passado que o homem esqueceu.
- Riders on the Storm: uma das composições mais belas, mas uma das mais difíceis que Jim escreveu.
- People are Strange: essa agônica canção é fruto dos estudos que Jim fez da fenomenologia, de Sartre e Husserl.
- The Celebracion Of The Lizard – uma letra inspirada num mito muito antigo. A letra revela a entrada num mundo de iniciação aos mistérios...viagem aos confins. Símbolos arquetípicos das iniciações e do caminho do herói.
terça-feira, 24 de março de 2009
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
JIM MORRISON - O POETA ALÉM DAS PORTAS DA PERCEPÇÃO
Semíramis Corsi - Possui Mestrado e Graduação em História pela UNESP/Franca. Atualmente é professora do Centro Universitário Claretiano - CEUCLAR. Atua nas seguintes áreas: Império Romano, Apuleio, História da Magia e das Religiosidades, Filosofia Médio-platônica.
http://clockworkorange.zip.net/index.html
sábado, 14 de fevereiro de 2009
OLIVER STONE- distorção, caricatura e incompreensão

"Durante anos relutei em fazer uma coluna sobre os Doors e basicamente por dois motivos: O primeiro foi o terrível filme feito por Oliver Stone. Ao estereotipar a banda com uma caricatura horrorosa de Jim Morrison, Stone perpetuou uma imagem imutável desde então, fazendo de Jim um bufão sem sentido e drogado. O outro motivo veio em decorrência do próprio filme, que criou legiões de fãs acéfalos que se identificaram com a película, mas sem compreender a banda. Até um bar de nome Morrison surgiu e qualquer bobo que andava com uma garrafa de cachaça na mão começava a se dizer tomado pelo espírito de Jim. Mas minha recusa terminou ao ouvir pela centésima vez meu disco favorito deles, justamente o último, em um período de incertezas, brigas e que culminaria com a morte de Jim"(...).
domingo, 7 de dezembro de 2008
OS POETAS/XAMÃS - A FRONTEIRA ENTRE A LOUCURA, O ABISMO E O MÁGICO
Citando Antoni Tàpies: “Todo o artistas genial tem tido e continua a ter relação com o “mágico” e o “religioso”, e não é raro que, por isto, tenha sido às vezes comparado ao santo, ao profeta, ou ao feiticeiro da tribo. O aprofundar da realidade requer um estado de “angústia psíquica”, de tensão espiritual, que é verdadeiramente comparável à daqueles.”. Sofreram fases de “doença mental”/ depressões gravíssimas.
É preciso, então, entender os sinais. Todo o trabalho mental do xamã é metafórico/ simbólico: foi-o quando Beuys tentou curar a América (instalação com um coiote: “A América ama-me e eu amo a América”), foi-o quando Picasso respondeu a um soldado alemão que eram eles que tinham criado Guernica, e não ele próprio; foi-o quando Jim Morrison se deixou influenciar pelo espírito de um índio morto na estrada; foi-o quando Miró pintou O Carnaval de harlequin com a “inspiração da fome”; e, finalmente, caracteriza a arte do artista “mais abstracto dos abstractos” Antoni Tàpies: muros, portas, escadas, caminhos, símbolos, etc.
Repito: todo o trabalho mental do xamã é simbólico: é feito de metáforas – como os sonhos. E actua na sociedade. Citando de novo Vitebsky: “Qualquer que seja o modo como as pessoas de fora considerem o estado mental do xamã, as sociedades xamânicas vêem uma continuidade entre este estado e o do paciente e da sociedade, considerados como um todo.(…) Em vez de procurarmos uma instituição designada como xamanismo, a nossa atenção deve centrar-se na figura do xamã. O xamã liga entre si áreas como a religião, a psicologia, a medicina e a teologia, que, na literatura ocidental, se encontram separadas. Através das suas experiências individuais, os meios do xamã são psicológicos, mas os fins são sociológicos, para sarar e manter a comunidade.”
Francisco Capelo é sociologo, escritor, pintor, poeta, autor de vários livros.
http://www.franciscocapelo.com/
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
OS POETAS/XAMÃS
No mundo da poesia de Roberto Piva, xamãs celebram o extraterreno todos os dias, os ciclos da natureza são respeitados pelos seres da apodrecida capital poluestana e o planeta acusa que estar em trânsito é um bom sinal para os tempos. O poeta, que completa 70 anos em setembro, expurga juízos e assassinos da realidade de modo controverso ao descosturar pregas móveis demais para uma sociedade imóvel com o agora. “O Brasil que eu lido não é esse. Eu não lido com o país inteiro, eu lido com grupos, com pessoas, com indivíduos", aponta.
[...]
Nas palavras de Paulo Franchetti, professor titular no Departamento de Teoria Literária da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), os escritos do poeta se firmam pela ruptura entre os contrários: “Perto dessa obra, que permaneceu de fato marginal (senão maldita até muito recentemente), os ‘poetas marginais’, seus contemporâneos de antologia, acabam mesmo por parecer garotos instalados na ‘perspectiva estável de uma sala de jantar de classe média’”.
Na sala do seu apartamento no bairro de Santa Cecília, Piva conversou sobre seus gostos pela poética da transgressão, seus desgostos pela política e seus contragostos pelos paradoxos da urbanidade.
Jim Morrison afirmava ter sido capturado por um xamã indígena quando criança. Você também foi capturado pelo xamanismo?
R. P. - Os primeiros poetas eram todos xamãs, e vem daí essa tradição de ligar poesia e inspiração com as técnicas arcaicas do êxtase. Não tem regras. O importante do xamanismo é que se trata de uma religião de poesia, não de teologia. Dante [Alighieri], por exemplo: todo o xamanismo está lá, os três reinos, a ligação mágica que ele tem com o número nove. Ele passou nove dias com febre e durante esses dias teve a intuição de “A Divina Comédia”. Depois, foi exilado de Florença, porque era contra o papa ter poder temporal. Ele era um nômade. Foi hóspede de vários aristocratas que admiravam o trabalho e a cultura dele. Escrevia enquanto estava em trânsito, nos passeios que fazia em torno do castelo desses senhores feudais.
[...] Jim Morrison falava nos anos 60 que quem tem o poder da mídia tem o poder da mente. Zé Celso cansou de dizer que a mídia impõe a mensagem. Daí o consumo imposto pelos mídia de alimentos-sucata, de comportamentos-sucata de 50 anos atrás etc.
Entrevista na integra: http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=2739
http://sol-negro.blogspot.com/2006/09/entrevista-roberto-piva-en-agulha.html
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
As Portas como Metáfora
Os Doors surgiram como uma proposta de Jim Morrison de levar a sua arte e seus pensamentos a um público mais acessível, pois ele se serviria do Rock para veicular suas próprias idéias. Mas Jim não queria só fazer letras falando “de amor” tipicamente do verão flower power. Não, Jim queria ir além; queria levar uma arte dramática aos palcos, queria colocar o público em suspenso, fazer ele entrar em uma sintonia uníssono com a pulsão dos instintos da natureza humana, para fazer uma purgação. Unir os contrários num ritual de purificação. Juntar o que foi separado, curar a alma dos enfermos. Dar-lhes o alimento da alma: sede de vida.
Era um momento oportuno, levando-se em conta as transformações que se operavam naqueles famigerados anos 60: protestos, passeatas, luta pela igualdade entre raças, pela paz... enfim, um aluvião de movimentos que se levantavam contra um tipo de sociedade baseada em valores machistas, classista, homófoba, sexista e beligerante.
A arte como redentora das dicotomias e da moral opressiva. O The Doors seria a metáfora sob a qual o público mergulharia para ascender a um patamar mais elevando da sua própria condição existencial. Não haveria “regras” e nem ordem a seguir, tudo far-se-á sob o próprio espelho da arte. E como “a arte se alimento de um sentido bruto que escapa a todos os modelos de pensamento pré-estabelecido, por isso, ela é uma espécie de ciência secreta que manifesta o enigma do mundo”. Fica-se à vontade para expressar-se livremente por entre as infindas possibilidades de transcender o ser-ai, o que é meramente dado. Como não existe nenhum “valor eterno”, porque todos os valores foram criados pelo homem, a arte deve mostrar horizontes mais plásticos e dilatados, além da mera arena com que circunscreve todos os movimentos desse circo de asilo, onde todos permanecem cativos de “Lords” que, impotentes para viver o próprio desafio que a existência lhes propõe, tramam e arquitetam valores decadentes para sujeitar a massa.
Dentro dessa perspectiva, porém, Jim terá que enfrentar um sistema paquidérmico e impotente, pois os valores apregoados pelo sistema não permitirá que se viva ou que de proponha mudanças no seu quadro comodamente administrado. Não tarda muito e os problemas aparecem. Jim é tido como louco, desviante, perturbador da ordem, rebelde, tudo que a sociedade ordeira usa para inibir quaisquer comportamentos que não sejam os já estrategicamente instalados.
Após anos dessas experiências, os anos 60 são lembrados com os anos em que são propostos outros modelos de sociedade e de formas de se viver nela. Ray Manzarek, amigo e tecladista da mítica banda The Doors, nos trás outra leitura a respeito da trajetória da banda e de seu líder. Quer que essas versões diminutas sobre Jim sejam revistas à luz da poesia e de uma outra visão da pessoa que era Jim Morrison, porém os equívocos criados em torno dele não são fáceis de serem diluídos. Há interesses por trás dessa farsa. A primeira foi montada pelo direto Oliver Stone, que continua defendendo o seu filme “The Doors” como o retrato legitimo de Jim Morrison, a despeito de toda a critica ter afirmado que seu filme é uma criação da própria cabeça dele. Se não bastasse a critica do meio especializado, surge uma analise mais profunda do caso na pessoa do Phd. Wallace Fowlie, professor emérito de literatura Francesa da cátedra James B. Duke, da Duke University e autor de mais 35 livros. Segundo Dr. Wallace, o filme é uma ficção da cabeça do próprio diretor.
Em entrevista recente, por ocasião do inicio do documentário dos três remanescentes dos Doors sobre a trajetória do grupo, Oliver afirmou que não mudaria nada no filme dele sobre Jim, que o documentário perpetrado por Ray não trará novidade alguma.
Mas o Oliver Stone não anda lendo, ou finge que existe uma critica pesada sobre seu filme. Contudo, o Ray tem andado o mundo todo falando de Jim, de um Jim que não aparece no filme do Oliver Stone, mostrando que Jim está além daquilo, que Jim ainda está por ser descoberto. Mas para isso é necessário documentar o que realmente acontecia na vida dos 4 Doors.
Ray prometeu o documentário até final do ano. Aguardemos confiantes.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
JIM MORRISON - O XAMÃ DA DÉCADA DE 1960
Autora do texto:
Rosangela Patriota Ramos - Professora do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Uberlândia-MG. Doutora em História Social pela FFLCH-USP. Pesquisadora e coordenadora do Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (NEHAC). Possui graduação em História (1987) e graduação em Ciências Sociais (1982) pela Universidade de São Paulo (USP). Nesta mesma Instituição obteve, em 1995 o doutorado em História Social. Em 1991 tornou-se professora do Instituto de História da Universidade Federal de Uberlândia.
RESUMO: Sob a perspectiva das experiências norte-americanas e tendo como eixo temático o poeta e vocalista do The Doors, Jim Morrison, este artigo visa refletir sobre as possibilidades históricas e culturais que alimentaram o debate político e estético da década de 1960.
PALAVRAS-CHAVE: Jim Morrison – Década de 1960 – História & Linguagens
ABSTRACT: Under the perspective of the North American experiences and having as thematic axle the poet and vocalista of the The Doors, Jim Morrison, this article aims at to reflect on the historical and cultural possibilities that had fed the debate aesthetic politician of the decade of 1960.
KEYWORDS: Jim Morrison – Decade of 1960 – History & Languages
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Severed Garden - Jim Morrison
Jim Morrison, mais conhecido como o vocalista da banda mística "The Doors", foi também um compositor e poeta norte-americano, considerado por muitos um gênio da música, e oficialmente classificado como um gênio intelectual.
Em Março de 1971, Jim mudou-se para Paris segundo uns dizem, a fim de se concentrar na sua veia poética e numa tentativa de deixar as drogas e a bebida. Outros dizem que Morrison exilou-se em Paris porque discordava com as barbaridades cometidas pelo governo americano da altura...
Nesse mesmo ano, fechou os olhos ao mundo. Não se sabe ao certo se foi uma overdose que o matou, ou se realmente morreu de ataque cardíaco, a versão oficial quanto à sua morte. Jim ficou na história pela sua intensa e fugaz passagem pelo mundo.
O POETA
Quando era pequeno, durante uma viagem com a família, Jim passou de carro por um acidente de viação onde diversos indígenas americanos perderam a vida. Morrison declarou repetidamente ao longo da sua vida, que as almas desses infelizes se tinham juntado à sua.
Alguns fãs afirmam que durante os concertos, Jim parecia entrar em transe como que recebendo um espírito em si. "Se a minha poesia tem algum objetivo, é o de retirar as pessoas das formas limitadas com que vêem e sentem."
Apesar de ser um músico brilhante, era na poesia que conseguia expressar as suas maiores angústias e a sua intensa relação amorosa com a vida. Em 1978 saiu o álbum pós-morte de Jim: An American Prayer. Este álbum é nada mais nada menos do que recitais de poemas que Jim fez pouco antes de morrer aos quais mais tarde se acrescentou acompanhamento musical. Um deles chama-se "Severed Garden", um poema profundo e que dá que pensar...
Severed Garden
Severed GardenWow,
I'm sick of doubtLive in the light
of certain South Cruel bindings
The servants have the powerdog-men
and their mean womenpulling poor
blankets over our sailors
(And where are you in our lean hourMilking a moustache or grinding a flower?)
I'm sick of dour faces Staring at me from the T.V.Tower:
I want roses in my garden bower;
dig?Royal babies, rubiesmust now
replace abortedStrangers in the mud
These mutants, blood-meal For
the plant that's plowedThey are
waiting to take us into the severed
gardenSo you know how pale &
unwanton thrillful comes death on
a strange hour unannounced,
unplanned forlike a scaring
over-friendly guest you've
brought to bedDeath makes angels
of us all & gives us wingswhere
we had shoulders smooth
as raven's claws No more money,
no more fancy dress This other kingdom seems
by far the bestuntil its other
jaw reveals incest& loose obedience to a
vegetable lawI will not goPrefer a
Feast of FriendsTo the Giant Family
Sonia Alexandra Gomes
http://aishitenight.blogs.sapo.pt/tag/poeta
zia@kiquezas.net
terça-feira, 20 de maio de 2008
Conclusão de Curso sobre Jim Morrison
Em meio ao anfiteatro quase lotado, Juliana começou sua defesa exibindo o vídeo que, segundo ela, inspirou todo o processo de construção da monografia: um clipe de Roadhouses Blues, da banda The Doors. “Eu sempre falo que minha história tem uma trilha sonora forte, muito do que sou se explica pelas coisas que ouço, música é minha vida”, esclarece.
Interrogando-se sobre o que faz alguém gostar de um artista ao invés do outro, a futura publicitária embarcou na discussão dialética entre o “eu” pesquisadora e o “eu” fã e analisou a performance de Morrison a partir de noções de mito e de xamã. Ela também dedicou um capítulo à contracultura e ao rock, já que, na sua opinião, a criação do “mito” Jim Morrison só foi possível no interior da contracultura. Juliana não tem medo de admitir: “Na verdade eu queria entender o que realmente me levava a gostar do Jim Morrison”.
O primeiro a argüir foi o professor Silnei Soares. Para ele foi satisfatório encontrar no texto de Juliana uma porção de autores trabalhados em aula. “Isso significa que não passou em branco e faz a gente ver que vale a pena”, disse. Silnei também comentou sobre as noções de mito utilizadas por Juliana. Segundo ele, o conceito metamorfoseia-se ao longo do trabalho. O professor considerou o capítulo “Entre ídolos e fãs” belíssimo, elogiou a postura intelectual e a humildade da acadêmica e encerrou seus apontamentos lendo um trecho da monografia.
Os comentários da professora Fernanda começaram repletos de perguntas.”Por que eu fui escolhida para ler Jim Morrison?”. “Por que eu para avaliar um ensaio?”, indagava enquanto lia o texto preparado para sua argüição. Fernanda reconheceu os méritos da estrutura do trabalho e disse que “ninguém melhor que um fã para falar de seu ídolo”. Segundo ela, “a inspiração confere um tom agradável a quem lê a monografia e o capítulo sobre o xamã é brilhante”.
Estudo sobre Jim Morrison rende primeiro 10 do ano.
Juliana Maul defendeu a tese de mestrado: “Jim Morrison: um personagem, um mito, uma análise da performance do artista”
Banca examinadora:
. Maria Elisa Máximo
. Fernanda G. Cruz
. Silnei Soares
Confira: http://redebonja.cbj.g12.br/ielusc/revi_2005/revi_mod_reg.php?id=5585
segunda-feira, 19 de maio de 2008
THE END
The Doors começou para mim não com um LP (falamos de algo que aconteceu há pelo menos 20 anos), mas com um livro: An American Prayer , do Jim Morrison.
Logo em seguida, veio The End (que vi no Youtube).
Inegavelmente, Morrison era um poeta. Robbie Krieger, John Densmore e Ray Manzarek musicavam seus poemas (ressalva justa seja feita à exceção de Light My Fire , talvez o maior sucesso do grupo, que era composição exclusiva do guitarrista Krieger).
Também é misterioso o destino daqueles que foram enfeitiçados pela som tântrico e sinuoso da guitarra de Krieger em The End e despertados pela estranha celebração do King Lizard Jim e dos Doors.
O DIA EM QUE CONHECI JIM MORRISON
O livro de *Rogério de Almeida - O Dia em que Conheci Jim Morrison "é uma lírica furiosa o que encontramos neste texto elíptico, sinuoso, em que o autor joga com o sonho e o pesadelo, o inconsciente e a realidade, fundindo o pop e o poético. O seu texto coletivo transborda em gestos largos, abrindo portas para que o complemento seja feito pelo leitor – texto coletivo. Entre uma e outra doa dose de cerveja, temperada com um psicodelismo discreto, esta história penetra nossa percepção estimulando o encontro com quem não somos, mas desejamos, quando distantes de nossa racionalidade.
Rogério Almeida instaura uma nova possibilidade de criação, que reflete a atualidade de seu discurso, mixando textos clássicos, sampleando citações, criando uma teia ilusória que prende o leitor em seu universo paralelo de vozes dissonantes, costuradas com perfeição pela voz do narrador-personagem, que caminha com MORRISON sem sabermos se os seus destinos são paralelos ou irão convergir em um personagem-síntese, único.
Pop e filosofia se misturam num debate existencialista, em que a representação de JIM MORRISON é transportada para um espaço imaginário, fractalizado, para uma dimensão fragmentada pelo qual nos guia um MORRISON místico, entre os limites do desejo e da frustração.
O dia em que conheci Jim Morrison nos propõe uma libertação, não apenas fuga cotidiana, mas um encontro com o ato de criar. Uma obra original em um mundo recheado de cópias. Uma literatura verdadeiramente universal e coletiva. Ligth my fire".
Prefacio de Patricio Dugnani
*Rogério de Almeida, é poeta, formado em Letras pela USP e doutor em Cultura, Organização e Educação pela Faculdade de Educação da USP.
É autor dos seguintes livros:
Alucinação
O Dia em que Conheci Jim Morrison, Ed. Zouk, 2004.
E organizador do livro Metamorfopsia da Educação: hiatos de uma aprendizagem real.
domingo, 18 de maio de 2008
JIM MORRISON LEITOR DE NIETZSCHE
Antes de ser um músico, Morrison era um poeta, muitas vezes incompreendido. Sua sinceridade, seu jeito de expor a mais dura realidade sobre a humanidade em suas poesias conquistaram grande multidão, mas também afastavam aqueles que não compreendiam suas atitudes. Sua escrita virou porta-voz de um movimento, de uma alternativa ao status-quo social, na sua “in your face poetry” (poesia na cara).
Do seu filósofo favorito, Friedrich Nietzsche(entre outros), Morrison tirou alívio e incentivo para dizer “sim para a vida”. Ele não era mais um suicida do rock, como muitos acreditam, mas escolheu intensidade ao invés de duração. Tornou-se o que Nietzsche definia como “aquele que não nega, que não diz não, que se atreve a se criar”.
Uma outra citação do filósofo influenciou a vida do músico: “Dizer sim à vida até diante de seus problemas, mais estranhos e difíceis; o desejo de viver acima de exaustão mesmo diante dos maiores sacrifícios — isso é o que chamo de Dionísio, o que entendo como a passagem para a psicologia do poeta trágico. Não para se dispor do trágico e da compaixão, mas para transformar-se na alegria eterna de transformação, acima de qualquer terror ou piedade”. Foi justamente a sede insaciável de Morrison que o matou e não a vontade de morrer.
Van Gogh, Rimbaud, Baudelaire, Poe, Blake, Artaud, Nijinsky, Byron, Dylan Thomas, Brendan Behan, Jack Kerouac, aqueles que sentiam a vida muito intensamente para agüentar vivê-la. Os loucos, intragáveis, perdidos, indomáveis, os artistas resistentes e cabeças-duras, insistentes em serem fiéis a sua natureza a qualquer preço — essa era a linha com a qual Morrison se identificava. Ser um poeta significava muito mais que escrever, pintar ou cantar; significava ter uma visão e a coragem para realizá-lo, independente de quaisquer posições.
Quando perguntado por uma revista pop como se preparava para o estrelismo, Morrison respondeu: “Parei de cortar o cabelo”. (...) O cantor usava as drogas para abrir a mente, expandir a consciência, a imaginação, para “ter acesso” a um mundo de outra forma fechado.
O interesse de Jim Morrison pelo desconhecido é bem documentado em suas poesias e escrituras. “Há coisas que sabemos. E há coisas desconhecidas, e entre elas, existem as portas (the doors)”, dizia. Apesar dessa frase ser, freqüentemente, atribuída ao poeta William Blake, eram as palavras de Morrison. Seu compromisso em desvendar o desconhecido desde o início de sua carreira, foi justamente o que acabou por terminar com o homem e com a banda.
Ele se recusava a comprometer sua arte. Este foi o seu bem e também o seu mal, ir até o fim dessa busca ou morrer tentando: tudo ou nada. E justamente por ele não industrializar ou popularizar o que escrevia, não conseguia fingir desespero ou êxtase. O que fazia não era mero entretenimento nem simplesmente a realização de movimentos já condicionados; ele era brilhante e desesperado, motivado pela necessidade de “testar os limites da realidade”, sondar o sagrado e explorar o profano.
E isso o deixou louco para criar, para ser real. Essas mesmas qualidades o fizeram volátil, perigoso e o deixaram num conflito perverso consigo mesmo. Procurava consolo e alívio nas mesmas substâncias que inicialmente o inspiraram e o fizeram criar: — as drogas.
As teorias do teatrólogo surrealista francês, Antonin Artaud, a respeito do confronto (discutidas no livro “O teatro e seu duplo”) tiveram influência marcante em Morrison e também no grupo como um todo. Em uma das passagens mais fortes do livro, Artaud faz um paralelo entre a peste bubônica e a ação teatral, afirmando que o teatro tem que conseguir afetar a catarse no espectador da mesma forma que a peste bubônica purificou a humanidade. A meta? “Que eles (espectadores) fiquem apavorados e acordem”. “Quero acordá-los. Eles não entenderam que já estão mortos”, dizia o músico.
Morrison iria gritar “Acordem” mil vezes na tentativa de sacudir o público e tirá-los de seu estado adormecido, “ninguém sai daqui vivo” ele cantava na música “Five to One”. E quando se confronta o tipo de medo e terror evocados por músicas como “The End”, algo dentro da gente muda, se altera, deixa de ser.
Final da década de 60 e as bandas cantavam sobre amor e paz, mas com The Doors era diferente. Quando a música acabava permanecia o silêncio, a serenidade, a conexão com a vida e a confirmação da existência de cada um. Mostrando o Inferno, The Doors levava seu público ao “Céu”. Evocando temas sobre a morte, mostrava que estavam vivos.
*** Alexandre Fontoura escreve para o Especial JB — Jornal do Brasil — com vários artigos em sites da banda “The Doors”.
sábado, 10 de maio de 2008
OS ASSASSINOS DE JIM MORRISON CONTINUAM VIVOS
Jovem foi para escola, quando elas tinham os melhores professores, lá em e todos os lugares do mundo, pois não haviam ainda sido afastados pelo arbítrio macartista. Jim Morrison, estudou cinema, na Califórnia, tendoJean Renoir como professor e Francis Ford Coppola, como colega, que depois o homenageou em Apocalipse Now, quando no início do filme toca The End. Devorador de livros tornou-se leitor inveterado, explorando os beats, Kerouac, Ginsberg, Blake, Baudelaire, Rimbaud, Nietzsche entre outros. Inspirou-se no teatro de Artaud, que o levou a incorporar a interpretação experimental em seus shows e o ritual do xamanismo. Escreveu “Viajantes na Tormenta” e cantou a história de uma cena que o marcou profundamente, quando ainda criança , durante uma viagem de família ao Novo México, deparou-se com vários índios espalhados pela estrada, sangrando, devido a um acidente de caminhão quando eram transportados na carroceria semproteção e também “Soldado Desconhecido”, um clamor pela paz e em defesa da vida dos milhares de jovens que eram jogados no front da guerra. Incorporou em sua obra a estrutura de duração e melódica da música indiana, flamenca, cigana, do blues, jazz e da bossa nova brasileira.
Ler sobre Jim Morrisom nos faz imaginar como o mundo seria melhor se pessoas como ele e tantos outros que possuíam um padrão cultural e humano acima do seu tempo tivessem sobrevivido, a pressão repressiva que o levou a revolta e ao fim muito jovem. Ler sobre Jim Morrison nos faz pensar como o mundo seria melhor se os melhores professores educados na democracia do pós-guerra, não tivessem sido afastados e perseguidos e não tivesse sido implantada uma reforma de ensino tecnificando e desumanizando o saber, conjugada com a imposição de um sistema de mídia que incentiva o consumo de massa a serviço de um modelo econômico concentrador, que nos deixou como estamos.
Mas não podemos esmorecer, afinal ao ler a biografia de Jim Morrison, entrevistas, poemas e letras de musicas, e captar o olhar visionário e terno de um jovem preparado que cantava a música “O Fim”, dizendo: “Este é o fim belo amigo/Este é o fim/Meu único amigo, o fim/Dos nossos elaborados planos, o fim/Tão sem limites e livre/Este é o fim, belo amigo/Este é o fim, meu único amigo, o fim/Dói-te libertar”, nos faz ter o alimento de um espírito que nos diz: lutem por liberdade, pelademocracia, pela paz, por um mundo mais solidário e justo até o fim, para que os meus assassinos não vençam.
Texto de Geraldo Serathiuk, advogado especializado em direito tributário pelo IBEJ
http://jornale.com.br/zebeto/2007/09/28/os-assassinos-de-jim-morrison-continuam-vivos/
PELICULA DE STONE FICA MUITO AQUÉM DE JAMES DOUGLAS MORRISON
(...)São nessas viagens lisérgicas, no entanto, que o filme se perde. As imagens assumem aspecto psicodélico com o som de poemas ao fundo, declamados pelo narrador. A película de 140 minutos seria mais bem aproveitada se momentos longos como esses ficassem restritos à sala de edição. O grande problema do filme, porém, é a visão superficial que faz dos personagens. O mundo de Jim carece de profundidade. A relação dele com os pais – ele mentia dizendo que estavam mortos – é levemente sugerida. O roteiro, inconsistente, não nos ajuda a compreender a perso-nalidade mutável e violenta do cantor. Morrison exalta a morte, desejando-a. Mas por quê? O que o levou a ser assim?
A resposta pode surgir depois, quando o espectador curioso vai buscar informações extras. A questão é que o roteiro trata os personagens de forma caricatural sem retomar conceitos que o próprio script propõe, como a questão dos mitos. Jim é constantemente levado a acreditar – por fãs, empresários e pelas circunstâncias – que ele é a banda, que sem ele os Doors não seriam nada nem venderiam discos. Nas capas dos álbuns, ele é o rosto do grupo. Ego e vaidade não explorados pelo filme. “Somos nós quem criamos o mito, Jim”, alguém fala no meio da projeção.
Entre uma tragada de whisky e outra, Jim Morrison surge como o sujeito que fala, grita, berra a uma sociedade de conformados: “Vocês são escravos!”. A mudança de personalidade dele do início ao fim da carreira é meramente pincelada. No entanto, a falta de conteúdo é preenchida por música.
Praticamente todas as seqüências são ilustradas por canções. As falhas, porém, não desmerecem a atuação central. Val Kilmer dá vida a Morrison. É dos mais bem sucedidos exemplos de atores interpretando uma personalidade. Aparências físicas e atitudes extravagantes, olhar vago e o jeito de cantar e se movimentar no palco; a coleção de gestos. As escolhas de Kilmer não poderiam ser melhores. Jim está vivo, ainda que o roteiro e a direção deixem a desejar. “Come on, baby, and light my fire!
terça-feira, 6 de maio de 2008
JIM MORRISON - a procura de uma existência superior
Nascido em Melbourne, na Flórida, no dia 8 de dezembro de 1943, James Douglas Morrison estilizou seu rock para o mundo. Apesar de inicialmente, não ter a pretensão de ser cantor, não se interessava tanto por rock e via na música apenas um meio para canalizar suas aspirações poéticas e artísticas. Estudante de cinema na Universidade da Califórnia (UCLA), adorava poesia e tinha como um de seus ídolos o poeta William Blake. Seus versos "quando as portas da percepção são abertas, o homem vê as coisas como realmente são: infinitas." deram origem ao nome da banda.
As influências de blues do pianista clássico Ray Manzareck e de jazz do guitarrista Robby Krieger e do baterista John Densmore foram misturadas com as letras de Jim, inspiradas em textos de Nietzsche, Blake, Rimbaud, entre outros. Seus temas eram a mitologia do deserto, imagens de entidades e índios misturados a um hedonismo urbano e a procura de uma existência superior. O estilo musical dos Doors era, inovador e, melhor de tudo, erótico.
THE DOORS IN THEIR OWN WORDS
Autor: Doe Andrew e Tobler, John
Editora: Onibus Press
JIM MORRISON: pesquisado, estudado, admirado
A narrativa é feita de modo que o leitor é levado a refazer, passo a passo, a trilha do poeta.Misturando suas próprias observações de viagens com farta documentação histórica e literária,leitura de cartas,análise de fotografias antigas e relatos de pessoas que conheceram Rimbaud,o autor nos leva de volta a uma África vibrante do final do século XIX, quando as potências européias retalhavam o continente em sua corrida imperialista por novos territórios. A história do jovem ex-poeta é também um retrato desse período em que ser europeu na África era sinônimo de pertencer a uma casta superior, arauto de uma civilização que se tinha por superior. O livro é fartamente entremeado com versos de Rimbaud (em traduções de Ivo Barroso),que alcançou o status da genialidade nas letras ainda adolescente e aos 25 anos já era um ex-poeta, tendo,portanto,realizado a obra que o imortalizou quando as pessoas ainda mal terminaram seu período de formação e começam a engatinhar em suas carreiras. Nicholl, no entanto, não faz um simples relato do itinerário africano de Rimbaud: o autor, com paciência de um detetive aplicado, a erudição típica dos autores acadêmicos britânicos,que se utilizam de diferentes saberes - história, psicologia, literatura, antropologia... - e um esmero narrativo que revela talento literário, refaz o poeta francês em sua dimensão total. Da infância sem a presença do pai - que primeiro é um notório ausente para depois abandonar de vez a família - à morte também precoce aos 37 anos, lá está toda a vida do jovem gênio, cujas atribulações futuras ele mesmo já prenunciara numa carta a seu professor, aos 15 anos,em 1870: “Estou loucamente determinado a adorar a liberdade livre”. Palavras que antecederam em um século outros revolucionários franceses que em maio de 1968 proclamaram ao mundo seu inconformismo com outros tipos de cerceamento à liberdade.
O autor não se furta em abordar o tema da homossexualidade de Rimbaud, analisada à luz de depoimentos de seus contemporâneos, de sua produção poética, do que disseram seus biógrafos anteriores.A relação conflituosa com o poeta Paul Verlaine é descrita em três capítulos,mas,prudentemente,Nicholl prefere não fazer juízos finais a respeito de seu biografado:
“Sua sexualidade permanece, como tudo mais a seu respeito, indecifrável”.
De Rimbaud na África: os últimos anos de um poeta no exílio (1880-1891) emerge principalmente a imagem de um jovem e um homem sem amarras,que ama acima de tudo a “liberdade livre” de não fincar raízes,de,como dele disse Verlaine, ser um “homem de solas de vento”. Um espírito inquieto que o leva a ser operário em fábricas, peão em fazendas, professor em colégios, soldado do Exército colonial holandês, marinheiro em navio mercante, mercador de caravanas. Para traçar um retrato o mais vivo possível das andanças africanas de Rimbaud, Nicholl fez ele próprio viagens a lugares onde viveu o poeta - ou por onde ele passou - nessa fase final de sua vida, entre 1880 até sua morte em 1891. Daí descortinam-se para o leitor, com um vigor descritivo adquirido a partir de um olhar próprio, o Iêmen,o Djibuti,a Etiópia,o Egito e até a obscura Somalilândia.Por seu alcance,sua profundidade e sua seriedade acadêmica, o livro de Nicholl se credencia a tornar-se citação obrigatória em qualquer obra publicada daqui em diante sobre a vida de Rimbaud. Por sua prosa bem desenvolvida, ele igualmente se credencia a um lugar na estante de qualquer um que goste de uma história bem contada, seja ela de ficção ou baseada, como no caso,na vida real.A dobradinha Nicholl-Rimbaud,biógrafo e biografado,tem os requisitos necessários para entrar na lista dos grandes sucessos de lançamento editorial da temporada.
Charles Nicholl escreveu nove livros, entre ensaios históricos,biografias e literatura de viagens,incluindo os premiados Leonardo Da Vinci - Flights of the mind e The reckoning: the murder of Christopher Marlowe. Apresentou dois documentários na televisão britânica e foi professor na Inglaterra, na Itália e nos Estados Unidos.
Por Carlos Magno Araújo
cmagno@diariodenatal.com.br
RIMBAUD NA ÁFRICA:OS
ÚLTIMOS ANOS DE UM POETA
NO EXÍLIO
(1880-1891)
Charles Nicholl
Nova Fronteira - 496 páginas
R$ 59,90
Tarso de Melo
Quais livros fizeram parte de sua formação?TARSO - O livro que inaugurou meu interesse por literatura não foi um livro propriamente literário, mas uma biografia do Jim Morrison, vocalista do The Doors, por causa das muitas referências que eram feitas aos poetas do simbolismo francês. Acho que a imagem que criei deles (Baudelaire, Rimbaud, Mallarmé) naquele momento, no embalo do livro, era de que se tratava de super-roqueiros! E depois fui encontrar os livros deles. Aí já é possível perceber que a coisa já começou meio torta. E posso garantir que nunca foi menos imprevisível a minha relação com os livros.
O restante da entrevista você poderá ler na integra no excelente blog: http://algaravaria.blogspot.com/2006/07/algaravariaes-11-tarso-de-melo.html
SEIS POEMAS INÉDITOS DO LIVRO
Paradeironão
JIM MORRIOSN - OS MISTÉRIOS DO SER
Texto escrito por ocasião de uma homenagem a JIM MORRISON na Casa das Artes, PORTUGAL.
A CASA DAS ARTES é uma das melhores Casa de Cultura de Portugal e da Europa.
http://casadasartes.blogspot.com/2007_11_01_archive.html
De JIM MORRISON a BOB DYLAN, e a rapaziada dos dois neurônios
Não vou fazer cerimônia, nem usar de falsa modéstia. Fui criado ouvindo The Who e tenho desde pequeno esse hábito desaforado de chamar as coisas pelo nome. Digo o que penso. Quem quiser que goste. Para quem não gostou, aquele abraço. Verdade não tem duas. Pode anotar aí nos seus alfarrábios sertanejos: o roqueiro é antes de tudo um forte. E essa característica — que está na própria essência da condição roqueira — acompanha o cara por toda a vida. Se assuste não. Tem muita filosofia no que eu digo. Sol e som nunca fizeram mal ao cérebro. Experimenta passar trinta anos decifrando Bob Dylan para ver se tu não ganha uma substância. Roqueiro burro nasce morto. Essa rapaziada aí dos dois neurônios, que gosta de Iron Maiden e Sepultura, a gente chama de “os metaleiro” — assim mesmo, no singular presidencial, porque a lindeza do plural majestático ficou reservada para quem já brincava de forte apache ouvindo “Voodoo child”.
A negada mais esperta. Só com muito rock pra agüentar, saca? Led Zeppelin na veia. Jim Morrison no céu, Van Morrison na terra. E os milicos só dificultando… Qualquer coisa que tivesse a ver com rock caía no valão do supérfluo: 10 mil por cento de imposto.
Texto do reporter MARCELO O. DANTAS – Revista Piauí
http://www.revistapiaui.com.br/artigo.aspx?id=69&pag=1
JIM ESTUDOU FILOSOFIA E PSICOLOGIA DAS MASSAS
Editor Rockwave
segunda-feira, 5 de maio de 2008
RIMBAUD E JIM MORRISON 2
Wallace Fowlie é atualmente um homem de muita idade. Nascido em 1918 é professor Emérito de Literatura Francesa da cátedra James.B. Duke da Duke University. É autor e tradutor de mais de trinta livros, dentre eles a Obra Completa de Rimbaud vertida para o inglês. Um erudito especializado em Proust, Claudel, Stendhal, Dante etc, e que nunca tinha tido sequer a curiosidade de escutar um disco de Rock'N'Roll até que recebeu uma carta curta que o deixou um tanto surpreendido: "Caro Wallace Fowlie, simplesmente queria agradecer-lhe pela tradução de Rimbaud. Eu precisava porque não leio francês tão facilmente(...) Sou cantor de Rock e seu livro me acompanha nas turnês. Jim Morrison".
No dia seguinte perguntou a seus alunos se alguém ali conhecia este cantor, para ele totalmente anônimo. A turma ficou muda e perplexa com tamanha ignorância. Ele então resolveu checar e arrumou os discos do The Doors para conferir. O fascínio com o radicalismo das letras de Morrison e a idolatria de seus alunos o transformaram em um inesperado admirador e daí em diante um estudioso de mais um poeta, mais um outsider que ao invés de ficar restrito aos livros e ao público leitor de poesia era um popstar de primeira grandeza, um ídolo de multidões ensandecidas que sonhava em ter sua obra literária reconhecida e que assim como Rimbaud dentro de muito pouco tempo ia chegar em um beco sem saída e pular fora (drop out) de tudo.
"O poeta torna-se vidente através de um longo desregramento de todos os sentidos". Isto parece saído da boca de Morrison, mas foi escrito por Rimbaud quase um século antes e estas afinidades estão bem claras no livro lançado agora aqui no Brasil chamado Rimbaud e Jim Morrison, de Wallace Fowlie (Ed Campus -2004), onde o autor faz um paralelo bastante interessante e instigante sobre as coincidências de vida e obra destes dois radicais do espírito. Bem didático e, claro, não traz muitas novidades para quem está acostumado com as duas obras, mas serve como excelente introdução para vôos maiores.Jean-Nicolas Arthur Rimbaud nasceu a 20 de outubro de 1854 em Charleville França e entre os quinze e dezenove anos (quando abandonou a literatura) escreveu uma obra fascinante e revolucionaria, que flertou com todos os abismos possíveis e imagináveis. Precursor do modernismo, surrealismo e influenciador de multidões de escritores posteriores, é hoje o poeta francês mais lido em todo o mundo. Após esta juventude regada a absinto, loucuras variadas, um escandaloso e rumoroso caso com o laureado poeta Verlaine e de freqüentar a nata da intelectualidade Parisiense, resolve abandonar tudo e se isola na África, onde se transforma em traficante de armas e passa a viver de expedientes diversos. Em 10 de novembro de 1891 morre em Marselha em decorrência de um câncer, inteiramente desligado do cenário poético do seu tempo. Henry Miller, mais um destes loucos radicais de seu tempo, também lhe dedicou um pequeno, mas excelente livro - A Hora dos Assassinos - um estudo sobre Rimbaud (L&PM -2004), onde faz um apanhado de sua experiência pessoal à bordo das viagens do enfant terrible do nomadismo da alma. "E dizer que foi um mero garoto que abalou os ouvidos do mundo! A aparição de Rimbaud sobre a terra não tem qualquer coisa de simplesmente milagrosa, como o despertar de Gautama ou a aceitação da cruz por Cristo ou a incrível libertação de Joana DArc? Interprete-se a sua obra como se preferir, explique-se a sua vida como se quiser, a verdade é que não há como lhe reduzir a importância. O futuro, mesmo que não exista, lhe pertence".
Pois Jim Morrison, a exemplo de Rimbaud, também é uma lenda maior do que si mesmo e foi leitor voraz de toda sua obra, assim como desta pequena jóia escrita por Henry Miller. Como não imaginar o fascínio que o radicalismo e principalmente o exílio de Rimbaud traziam a Morrison? Muitos de seus fãs mais exaltados crêem com convicção que o Rei Lagarto ainda está vivo em alguma África distante livre do desespero da disponibilidade de se pôr à beira do abismo, dos transtornos da criatividade e do desregramento de todos os sentidos. As portas da percepção quando abertas podem se tornar insuportáveis e os analgésicos para isto podem incluir as drogas ou simplesmente o abandono, seja dos atalhos escritos e descritos ou mesmo da vida, do inferno em que se meteu. Como diz Fowlie: "Rimbaud usou a palavra inferno em sentido Teológico. Ele só queria passar uma temporada ali, porque sabia que no inferno não se tem energia para nenhuma mudança positiva. Jim Morrison entenderia o significado da palavra inferno, muito embora não a tenha usado. Ele foi um exemplo deste dom de mudança que os jovens possuem. E possuem também um olhar mais aguçado do que o dos mais velhos para o que se encontra apodrecido na sociedade e, por isso, sentem a urgência de purifica-la atacando a chaga da apatia, que impede as mudanças e o desenvolvimento de uma personalidade mais sã".
Conheci o The Doors no final dos anos 70, época em que estavam praticamente esquecidos. Era relativamente pouco comum encontrar um disco deles e mais raro ainda quem gostasse. Fiquei bastante impressionado, mas entendi muito pouco o que aquilo tudo representava. Era mais uma banda de rock onde o cantor havia morrido de overdose e só. Com o passar do tempo e os interesses se modificando, me caiu nas mãos uma tradução de Uma temporada no Inferno, Iluminações e do Barco Bêbado de Rimbaud. O impacto destas leituras foi imediato e aquelas imagens um tanto desconexas e dilaceradas foram ficando como se fossem uma tatuagem interna. O fascínio de saber que aquilo tudo tinha sido produzido por um moleque um pouco mais novo do que eu e que havia abandonado tudo me intrigava como me fascina até hoje.Os anos 80 foram pródigos para o culto ao mito Jim Morrison. O renascimento da literatura beat, a inclusão na trilha sonora do Apocalipse Now de Coppola e a regravação de suas músicas por ídolos da época como Billy Idol e Echo & The Bunnymen foram como um rastilho de pólvora e um fósforo. Ao perceber as influências de Niezstche, Huxley, Blake, etc, e principalmente ao conhecer seus poemas no disco póstumo An American Prayer me tornei um fã exaltado. Em pouco tempo estavam disponíveis e relançados todos seus discos e inúmeros livros, biografias e a tradução de seus poemas. O filme de Oliver Stone só fez expandir esta idolatria pelos quatro cantos do mundo. As romarias a seu túmulo no Pere-Lachaise demonstram isso. Seus discos vendem bastante ainda. Jim Morrison e suas calças de couro se transformaram em um ícone da rebeldia juvenil, assim como os pôsteres de Lennon, Guevara, James Dean e Marilyn Monroe. Uma bela estampa para camiseta. Vejam só a ironia terrível do destino. O cordeiro que se imolou em busca do mel escondido atrás do arco íris, que se jogou de frente contra todos os mercantilismos, se tornou depois de morto uma mercadoria altamente rentável.
Cadáver insepulto, seja pelos chamados da galera que joga vinho e baseados em sua última morada como no renascimento da banda (cover de si mesma) que Manzarek e Krieger resolveram montar com Ian Astbury emulando uma espécie de fantasma da ópera. Sei que passaram por aqui, mas resolvi não conferir, creio que fosse me decepcionar.
Rimbaud foi para Morrison uma imagem, uma meta recorrente, talvez Paris tenha sido a sua África, um porto distante, o preparo para um salto que o faria sair da obra e cair na vida. Parece que não deu tempo."O tédio não é mais meu amor. O furor, a devassidão, a loucura, dos que conheço todos os impulsos e calamidades - Todo meu fardo foi arriado. Apreciemos sem vertigens a extensão de minha inocência".Rimbaud"Já não temos dançarinos, os possessos.A clivagem dos homens em atores e espectadoresÉ o fato crucial do nosso tempo. Obcecam-nosHeróis que por nós vivem e nós punimos.Ah! Se todas as rádios e televisões fossemDesligadas, e todos os livros e quadrosQueimados já, todas as salas de espetáculos encerradas...Essas artes de viver por procuração...Contentamo-nos com a oferta, na nossa procura deSensações.Deu-se a metamorfose do corpo enlouquecidoPela dança nas colinas num par de olhosRasgando a treva.Jim MorrisonPara nós o que sobra? Algumas trilhas e um par de enigmas. Quantos caminhos nos levam para a África de cada um ou para o frio de amanhecer dentro de uma banheira em Paris?Se a "punição" é seguir em frente, alguns abandonaram, pela intensidade, no meio. Queimaram rápido demais e as cinzas continuam no ar. Apontando onde seguir.Como já disse, os ardores do futuro antevisto são para loucos, poucos e porque não... raros.
Texto do poeta e músico CLAUDIO VIGO
MORRISON, RAUL E BON DYLAN - Músicos Poetas ou Poetas Músicos?
Musicas de boa qualidade sempre têm, além de uma grande melodia e uma ótima letra, e bandas e ou musicistas de boa qualidade, as compõe. Quantas letras lindas já deparam-nos, e percebemos desde o começo, ser um grande trabalho. Uma poesia musical.
Agora a dúvida. Músicos podem ser poetas? e poetas, podem ser músicos? Sem sombra de dúvida a primeira questão esta respondida. Grandes músicos podem ser sim grandes poetas, e tenho provas.Compositores famosos como Raul Seixas, Bob Dylan e Jim Morrison são alguns deles. Os maiores, sendo mais claro.
Pensava esta semana sobre qual tema iria registrar e mais uma vez vários “sinais” apareceram. Não, Jim Morrison não apareceu para mim, risos. Mas como gosto muito de poesia e rock n´roll, resolvi juntar os dois e escrever uma matéria. Não fui apenas à única a “ligar” duas obras de arte como poesia e musica, mas muitos famosos também.
Jim Morrison era um homem com personalidade forte, além disso, muito enigmático, culto e inteligente. Explosivo e exagerado ás vezes, mas com um grande dom de lidar com as palavras e com a voz. Suas apresentações eram teatrais, seu corpo fazia movimentos aleatórios e diferentes. Essas características são de um grande poeta e gênio musical. E com essas características principais para ser um poeta musical, Raul também tinha o mesmo gênio. Claro, com algumas alterações, mas sempre com a mesma personalidade, Difícil!Muitos poetas podem ser músicos também. Um exemplo é o próprio Jim Morrison que já escrevia em seus cadernos várias poesias e pensamentos conturbadores, de amor, ocultismo entre outros. Nada como o próprio Jim explicar: "Inicialmente eu não tinha a intenção de fazer parte de uma banda. Queria fazer filmes, escrever peças, livros. Quando me vi numa banda, quis trazer algumas dessas idéias dentro disso".
Jim Morrison, sempre interessado pelo desconhecido, oculto, escreveu poemas bastante confusos e ao mesmo tempo profundos.Obcecado pela morte, o tema era sempre tratado em suas letras, principalmente em “The End”, uma grande referência para observar melhor estes detalhes é só assistir o filme de Oliver Stone, intitulado The Doors (um dos melhores filmes que já assisti). Outra passagem interessante é onde Morrison descreve sobre a morte: “A primeira vez que descobri a morte… Eu, os meus pais e os meus avós, íamos de automóvel no meio do deserto ao amanhecer. Um caminhão carregado de índios, tinha chocado com outra viatura e havia índios espalhados por toda a auto-estrada sangrando. Eu era apenas um miúdo e fui obrigado a ficar dentro do automóvel enquanto os meus pais foram ver o que se passava. Não consegui ver nada – para mim era apenas tinta vermelha esquisita e pessoas deitadas no chão, mas sentia que alguma coisa se tinha passado, porque conseguia perceber a vibração das pessoas à minha volta, então de repente apercebi-me que elas não sabiam mais do que sobre o que tinha acontecido. Esta foi a primeira vez que senti medo... e eu penso que nessa altura as almas daqueles índios mortos – talvez de um ou dois deles – andavam a correr e aos pulos e vieram parar à minha alma, e eu apenas como uma esponja, ali sentado a absorvê-las”.
texto de RAFELA MACHADO
domingo, 4 de maio de 2008
FRASES DE MORRISON
Eu passei por um período em que bebia muito. Tinha muita pressão em cima de mim que eu não podia suportar. Mas eu gostava de beber. Faz as pessoas se soltarem e às vezes estimula conversas. De alguma forma, é como jogar. Você sai para uma noite de bebedeiras, e não sabe onde vai terminar na manhã seguinte. Pode ser bom ou um desastre" .
(Jim Morrison, 1969)
"Eu estava menos teatral, menos artificial do que quando comecei. Mas agora, tocamos para uma audiência cada vez maior, lugares cada vez maiores. É necessário se projetar mais, exagerar, até chegar ao ponto do ridículo. Eu penso que sou um pequeno ponto no fim de uma enorme arena, você tem que compensar a falta de intimidade com movimentos expandidos".
(Jim Morrison, 1969)
"Eu sempre gostei das coisas que li. Claro, que elas são sobre mim. Mas elas eram muito concentradas no meu órgão progenitor, e não prestavam atenção para o fato de que eu era um jovem razoavelmente saudável, alguém que tinha algo mais do que braços, pernas e olhos - tinha um cérebro, o equipamento completo. A imprensa sempre faz isto".
(Jim Morrison, 1970)
"Eu acho que os álbuns substituíam os livros...e filmes. Um filme vcê vê uma vez, talvez duas, depois muis tarde na televisão. Mas um álbum, é mais influente do que qualquer tipo de arte. Todo mundo cava eles, e alguns você ouve umas 50 vezes. Você mede seu progresso mentalmente pelos seus discos".
(Jim Morrison, 1969)
O bom dos filmes é que não existem espertos. Qualquer um pode assimilar a história do filme sozinho, o que não acontece em nenhum dos outros tipos de arte. Não há espertos, então na teoria, qualquer aluno sabe tanto quanto o professor."
(Jim Morrison, 1969)
"Não existe nada mais divertido do que tocar música para uma audiência. Há esta bela tensão. Existe liberdade, e ao mesmo tempo, uma obrigação em tocar bem. Eu amo isto, da mesma forma que um atleta ama correr, se manter em forma. Algumas de nossas melhores viagens musicais foram em clubes."
(Jim Morrison, 1969)
"Eu acho que mais do que escrever e fazer música, meu maior talento é que eu tenho uma habilidade instintiva de propaganda da própria-imagem. Eu era muito bom em manipular a publicidade com algumas frases do tipo político erótico. Tendo crescido com TV e revistas de massa, eu sabia instintivamente o que as pessoas iriam pegar, então eu soltava estas pequenas jóias aqui e ali, parecendo muito inocente; é claro, eu estava apenas chamando os avisos."
(Jim Morrison, 1969)
"Existem as coisas conhecidas e outras desconhecidas, entre elas, as portas."
ALGUMAS FRASES DE MORRISON
"Quando fazes as pazes com a autoridade, tornas-te na autoridade."
O género de liberdade mais importante, é seres verdadeiro. Trocas atua realidade por um personagem. Trocas os teus sentidos por uma atuação. Desistes da capacidade de sentir, e em troca pões uma máscara. Não pode haver uma revolução em grande-escala, se antes não houver a revolução individual da pessoa. Primeiro tem que acontecer cá dentro."
"Estamos mais interessados no lado negro da vida, a coisa maligna, a coisa noturna." Referindo ao interesse da banda, contrariando ao que as outras bandas faziam na época - e ainda hoje - fazem.
JIM MORRISON
Por seu vigor e longevidade, esse programa estético-existencial estaria destinado a resistir até mesmo a um mundo dominado pelas formas mais sutis de alienação e determinação: o mundo da indústria cultural e de sua "dessublimação repressiva", segundo a expressão cunhada por Marcuse para designar essa engrenagem perversa em que o gozo passa a ser melhor controlado e docilizado na medida em que é intensificado por uma mercantilização que esteriliza seu fluxo outrora desordenado, caótico e, por isso mesmo, subversivo.
Obviamente, os mártires dessa resistência teriam de ser aqueles artistas que conseguiram estar no centro da civilização do espetáculo, utilizando os instrumentos da comunicação de massa para inocular, no coração daquilo que nos aliena, uma esperança de transcendência - ao preço da própria lucidez e da própria vida. E, dentre esses artistas, nenhum outro encarnou melhor o mito trágico do herói da contra-cultura do que Jim Morrisom, o poeta, compositor e líder da banda de The Doors, que morreu em Paris há trinta e cinco anos, no dia 3 de julho de 1971.
O roqueiro que incendiou a cena pop dos anos 60 foi a personagem arquetípica de uma geração que reagiu violentamente ao clima asfixiante da sociedade norte-americana do auge da guerra fria e que buscou na literatura, no cinema, na música e nas drogas uma experiência de ultrapassamento, de rejeição do senso comum da classe média. Filho de um oficial da marinha, James Douglas Morrison nasceu em 8 de dezembro de 1943, em Melbourne (Flórida), mas fixou-se na Califórnia depois de vários anos de peregrinação da família por diversas cidades dos Estados Unidos. Contra a vontade do pai, com quem sempre manteve um relacionamento tenso (a ponto de declarar em entrevistas que era órfão, embora o capitão Steve tenha sobrevivido ao filho), Jim cursou a Escola de cinema da Universidade da Califórnia (UCLA), onde conheceu Francis Ford Coppola - que muitos anos depois, ao dirigir Apocalypse Now (1979), prestaria uma homenagem amigo, incluindo na trilha sonora do filme a canção "The end", clássico dos Doors, que foi uma espécie de metáfora musical do inferno da Guerra do Vietnã transposto pela tela pelo cineasta de O poderoso chefão.
No Natal de 1964, Morrison viu os pais pela última vez, pouco antes de o capitão Steve se mudar com sua mãe para Londres, onde serviu nas Forças Navais dos EUA na Europa. Em 1965, Jirn abandonou a UCLA depois da recusa, pelos organizadores de uma mostra destinada a avaliar o trabalho dos estudantes, de um filme experimental que ele havia produzido.
A ruptura radical com o passado, no entanto, deu lugar a laços muito mais viscerais. Na Escola de Cinema, ele conhecera Ray Manzarek, com quem passou a conviver em Venice Beach - pequena cidade litorânea perto de Los Angeles habitada por artistas movidos a LSD e que começavam a lançar as bases das comunidades hippies. Morrison mostrou alguns de seus poemas a Manzarek (que era tecladista da banda Rick and the Ravens) e logo surgiu a idéia de formar um conjunto, ao qual se juntariam o guitarrista Robby Krieger e o baterista John Densmore.
Iniciava-se então a vertiginosa trajetória da banda The Doors, com apresentações no clube "Whiskey a Go Go", de Los Angeles, em que Morrison aparecia no palco como uma espécie de xamã entoando as letras de "Moonlight drive" e "Break on through", músicas que soavam como uma convocação para novos estados de consciência e percepção. Não era outra, aliás, a inspiração para o nome do grupo - uma referência explícita ao livro As portas da perceção, de Aldous Huxley, o aristocrático profeta das experiências com drogas, que por sua vez havia retirado esse título de uma célebre frase do poeta William Blake: If the doors of perception were deansed every thing would appear to mais as it is, infinite ("Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo se mostraria ao homem tal como é, infinito", segundo a tradução de José Arantes em O matrimônio do céu e do inferno, editora Iluminuras).
Obstinado na idéia de Blake segundo a qual "a estrada do excesso leva ao palácio da sabedoria", Jim Morrison imprimiu à curta história dos Doors as colorações de uma viagem de purificação. Purificação que equivalia, objetivamente, ao transe provocado pelo ácido lisérgico, à ostentação pública de uma sexualidade transgressiva e à conspurcação de todos os valores de uma sociedade que enclausura os sentidos e encarcera os praticantes de rituais pagãos. Entre Light my fire (single que ficou 40 semanas na lista dos discos mais vendidos dos EUA em 1967) e L. A. woman (álbum de 1971 que também atingiu o topo da parada), Jim Morrison seria detido duas vezes pela polícia norte-americana por causa de sua conduta no palco. Em 1967, durante um concerto em New Haven, foi preso por inicitar o público contra as autoridades depois de denunciar que havia sido agredido nos bastidores do show por um policial que o flagrara com uma fã. Posteriormente, em 1969, Morrison foi indiciado por conduta indecente num concerto em Miami em que se apresentara bebado, simulando atos sexuais e (segundo o jargão policial) assumindo uma postura "indecente e profana".
Esse comportamento também se estendia a seu relacionamento com Pamela Courson, verdadeiro "matrimônio do céu e do inferno" que durou até sua morte - sendo interrompido mais seriamente apenas pelo affair que Morrison manteve com Patricia Kennealy, editora da revista Jazz and Pop que ele conheceu em 1969 (durante entrevista no Plaza Hotel de New York City) e com quem se "casaria" num ritual pagão (Patrícia se dizia adepta da bruxaria e até hoje reivindica a validade da cerimônia e o título de Mrs. Morrison).
Em março de 1971, pouco depois de terminar a gravação do álbum L. A. woman, Morrison decidiu romper temporariamente sua parceria com os Doors e se mudou para Paris. Foi um breve período de renascimento de Jim. No último ano, ele havia engordado exageradamente, deixara crescer uma barba que lhe dava a aparência de um guru underground, vivia entre crises de alcoolismo e o consumo exagerado de cocaína: era como se quisesse sepultar em praça pública sua imagem de deus do rock, aquela aura mercantil de sex symbol eternizada em sua beleza diabólica pela lente de Joel Brodsky.
Ao viajar para a França, porém, ele parecia haver recuperado o frescor dos primeiros anos. Rosto escanhoado, mais magro, Jim Morrison queria voltar à fonte de seus primeiros poemas (Baudelaire, Rimbaud, Céline) e ser reconhecido como escritor. Mas seu idílio na rive gauche durou pouco. Na noite de 2 de julho, após ir ao cinema, Jim voltou com Pamela para seu apartamento e deitou-se. Queixando-se de dores no peito, levantou da cama e decidiu tomar um banho. Na manhã do dia seguinte, Pamela encontrou Jim Morrison morto na banheira de seu apartamento parisiense. Até hoje não se sabe se ele morreu de um ataque cardíaco provocado por anos de excesso ou se tomou uma overdose (especula-se que ele teria confundido heroína com cocaína). O fato é que a morte de Jim Morrison parecia confirmar o destino trágico dos ícones da contracultura. No ano anterior, o guitarrista Jimi Hendrix e a cantora Janis Joplin haviam morrido em circunstâncias semelhantes. Ambos tinham a mesma idade que Morrison: 27 anos.
Tais coincidências acabaram por reforçar o apelo mítico desses jovens que vivem intensamente e agonizam precocemente (trilha perseguida por Pamela, que morreria de overdose de heroína em seu apartamento em Hollywood, no dia 25 de abril de 1974). Sepultado no cemitério Pêre Lachaise, em Paris, o túmulo de Jim Morrison é até hoje um lugar de peregrinação para fãs, o mais visitado de uma necrópole que abriga ilustres representantes da alta cultura como Molière, Balzac, Chopin, Oscar Wilde e Marcel Proust.
Diante desses curiosidades jornalísticas, é muito difícil avaliar o lugar exato de Morrison na cultura contemporânea. Ele seria apenas uma vítima talentosa da indústria do estrelato ou um poeta genial escondido sob a pele do astro do rock? O autor de canções datadas da geração Woodstock (festival do qual, alias, os Doors não participaram) ou um performer cuja radiante beleza era mais um elemento nas celebrações dionisíacas que fizeram da banda o emblema de uma renovação espiritual (logo sepultada pela era de conformismo político e de anódino ecletismo estético que perdura até nossos dias)?
Os adeptos de uma valorização propriamente literária de Morrison têm procurado traçar paralelos entre suas letras e poemas e a obra de alguns escritores - tarefa facilitada pelo próprio compositor, que deixou várias indicações de suas preferências poéticas. O caso mais óbvio é Blake, cujos ecos se fazem sentir nos versos There are things known / And there are things unknown / And in between are the doors - espécie de palavra de ordem que justifica a filiação da banda ao romantismo visionário do poeta inglês. Outro caso explícito de citação são os versos da canção "End of the night" ( Take the highway to the end of the night / take a journey to the bright midnight / Realms of bliss / Realms of light / Some are born to sweet delight / Some are born to the endless night ), que remetem à leitura que o jovem Jim Morrison fez do romance Viagem ao fim da noite, de Louis-Ferdinand Céline (escritor francês que encontrou na mais profunda abjeção humana uma forma de iluminação, de reconhecimento das sórdidas verdades que habitam nosso bas fond existencial).
Aliás, é possível detectar na curta trajetória de Morrison uma linha direta entre suas leituras de juventude e as letras que ele cantava no auge do sucesso dos Doors. Não me refiro apenas às leituras dos beatniks Ferlinghetti, Kerouac ou Corso, que foram seu catecismo da rebeldia, mas sobretudo àqueles escritores que fizeram da própria figura do poeta um ideal de conduta desviante, encarnando no corpo e na escrita um mundo de possíveis em meio às frias impossibilidades desse mundo. Se "o poeta é o sacerdote do invisível", como escreveu Wallave Stevens (cito o verso a partir do livro Daqui ninguém sai vivo, biografia de Morrison escrita por Jerry Hopkins e Danny Sugerman e da qual retirei a maior parte das informações deste texto), Morrison quis ser o oficiante de sua própria invisibilidade, de sua desaparição, da lenta subversão de sua alma no "Palácio do exílio" (poema magistralmente recitado por ele na seção "The celebration of the lizard", do disco In concert - que de certa forma recapitula seu mergulho no abismo dos paraísos artificiais e seu posterior retorno à noite primitiva de uma sabedoria aberta ao encanto dos acontecimentos).
Essa proximidade entre Morrison e poetas malditos como Baudelaire e Dylan Thomas foi retomada recentemente num estudo de Wallace Fowlie, professor de literatura francesa que no livro Rimbaud and Jim Morrison: The rebel as poet (Duke University Press) estabelece paralelos biográficos entre o rebelde poeta francês que deixou de escrever aos 20 anos e o pop star cuja obra poética foi interrompida aos 27. Entretanto, uma simples leitura de Os mestres ou de As criaturas novas mostra que a poesia aforística de Morrison atinge alguns poucos momentos de intensidade e originalidade. A verdadeira poesia de Morrison está em letras de músicas como "Not to touch the earth" ou "The end". Ou, melhor ainda, a poesia de Morrison se torna absolutamente irresistível quando vem associada a sua voz, ao mesmo tempo vigorosa e cansada, sensual e indiferente, em gravações que são verdadeiros festins apocalípticos do Rei Lagarto (uma das imagens recorrentes de seu xamanismo).
Pois se o poeta Jim Morrison foi apenas um epígono sedutor de Blake, Rimbaud e Dylan Thomas, o cantor Jim Morrison, em compensação, foi bem além do glamour da cena pop. Como líder da banda The Doors, ele conseguiu expor seus dilaceramentos, os nossos dilaceramentos, a defasagem entre a altitude de nossos sonhos, a opacidade de um mundo que exige que sonhemos e a crueldade com que esse mundo manipula aqueles sonhos, obrigando-nos a percorrer a estrada da dissolução, a penetrar na terra da catástrofe - para ensinamento dos homens. Nesse sentido, a obra de Jim Morrison possui a teatralidade absoluta exigida por Artaud: ela é o conjunto formado pela aspiração ao sublime e pelas consequências sofridas pelo corpo e pela mente de quem ousou materializar essa idéia de transcendência. E, por isso, a melhor obra poética de Jim Morrison foi sua vida.
LIVROS SOBRE JIM MORRISON E THE DOORS A bibliografia sobre Morrison e The Doors é gigantesca e pode ser conferida no site oficial da banda ( www.thedoors.com ), que traz ainda um rico conjunto de dados biográficos e fotos dos quatro integrantes do grupo. Em português, essa bibliografia ainda é escassa, mas inclui três títulos fundamentais:
· Daqui ninguém sai vivo, biografia de Morrison escrita por Jerry Hopkins e Danny Sugerman;
· Os mestres e As criaturas novas (reunião num único volume de dois livros de poemas de Jum Morrison);
· Uma oração americana, também com poemas do pop star. Os três livros foram publicados pele editora portuguesa Assírio e Alvim e podem ser encomendados à Livraria Portugal (r. Genebra, 165, São Paulo - tel: (11) 3673.8406. Dentre os livros em inglês, três títulos são obrigatórios:
· The Doors - The Ilustrated History, de Danny Sugerman (ed. William Morrow & Co.), belíssima edição com fotos e matérias de jornal que acompanham a trajetória da banda (com destaque para a célebre sessão de fotografias de Morrison realizada por Joel Brodsky);
· The american night, com textos de Jim Morrison (Villard Books);
· The Doors - The complete lyrics (Delta Book), contendo todas as letras da banda.
Textos: Manuel da Costa Pinto
Fotos: Paul Ferrara
Revista Cult 48
OS TRÊS POETAS - VILLON, RIMBAUD E JIM MORRISON
A geração de jovens que aderiu a contracultura nos anos 60 escolheu Jim como sua grande estrela. Eles acompanharam os passos do The Doors. Conheceram sua história desde 1966, quando Jim cantou “Moonlight Drive” para Ray Manzareck na praia de Venice, até o lançamento do primeiro álbum, The Doors, em 1967. As críticas desse álbum derramaram epítetos sobre o superastro: “xamã sexual”, “Dioniso praieiro”, “Adônis hippie”. A contracultura foi uma forma de radicalismo que rejeitava os valores da classe média americana, abraçando um novo hedonismo (doutrina que considera o prazer individual e imediato como o sentido maior) que incluía sexo, drogas e rock and roll.
Hoje, os jovens podem ver a contracultura sob uma perspectiva histórica. Eles se sentem menos reprimidos pelo aspecto imoral relacionado ao sexo e às drogas, e se lembram das declarações de fundo crítico feitas por Jim Morrison a respeito do artista: “Vejo o papel do artista como o de um xamã ou bode expiatório. As pessoas projetam suas fantasias nele e estas se materializam” Hoje eles percebem que Jim foi ao mesmo tempo culto e primal, de uma vitalidade primitiva que mesclou o rock a uma rica bagagem literária.
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Esses três poetas voyou – Villon, Rimbaud e Jim Morrison – deram voz à postura de rejeição e desprezo da juventude, tipicamente dramática e emotiva. Cada um, com sua terminologia própria e conforme a sua idade, se deu conta do grande mistério que é a alma humana, e procurou em vão encontrar uma ciência adequada para explicá-la. Será isso o tradicional pessimismo dos jovens? Eu prefiro considerá-lo a convicção de que nada no mundo é por inteiro, nem possui beleza absoluta. Está tudo contaminado, em confusão, conspurcado e fragmentado. Eles descobriram que uma verdade pura e simples é algo tão implausível que a maioria das pessoas intintivamente acrescenta um pouco de ilusão.”
Rimbaud e Jim Morrison – do livro de Wallace Fowlie.
Livro de Wallace Fowlie, lançado aqui no Brasil pela Editora Campus. As pesquisas históricas e literárias feitas por este autor são extremamenteinteressantes... Quem tiver a oportunidade, leia!
Jim Morrison: culto, inteligente
Sempre tive aquele famoso recalque do "tenho que fazer tudo até os 27". Orson Welles acabou Cidadão Kane com 26, Jimi, Janis e Jim Morrison morreram com exatos vinte e sete anos depois de mudar tanta coisa - eu já estava com trinta e nem muro de cemitério francês eu tinha coragem de pular. Uma coisa muito frustrante foi o dia seguinte. Ainda bem que o champagne era "nacional" o que amenizou o sofrimento.
James Douglas Morrison nasceu em 8 de dezembro de 1943. Se a lenda procede tem 57 anos e deve morar em Saquarema disfarçado de pescador, vizinho de Serguei, pois tem gente que afirma que assim como Elvis e ao contrário de Paul McCartney, Morrison não morreu e prova isto com um monte de dados como o fato de ninguém ter visto seu corpo, umas confusões no atestado de óbito e mais uma meia dúzia de teorias da conspiração ideais para animar conversa de sábado chuvoso junto com a teoria da terra oca e a brincadeira do copo.
Independente de tudo isso, possivelmente Jim Morrison foi o maior poeta do rock. Extremamente culto e preparado, mesclava em suas leituras tanto a literatura beat em quase sua totalidade (Kerouac, Ginsberg etc) com clássicos como Plutarco e James Joyce, entremeados de muito Nietzsche, Huxley, Mallarmé e ainda tinha como brincadeira preferida ficar com os olhos vendados em seu quarto com as paredes forradas de estantes abarrotadas, enquanto um amigo escolhia um livro e lia um trecho que invariavelmente era adivinhado.
Fez cinema (foi colega de turma de Francis Ford Coppola) e se preparava para ser uma espécie de Rimbaud beatnik quando conheceu Ray Manzarek e o rock bateu a sua porta. O resto é história exaustivamente contada e mitificada, seja em inúmeros livros ou no filme do alucinado mais careta de todos os tempos: Oliver Stone.
Em meio a discos históricos e definitivos (acho Strange Days uma obra prima) foi queimando todos seus cartuchos no excesso de drogas e intensidade e após o ápice de uma carreira de mais altos do que baixos, resolveu dar uma parada estratégica e cuidar de sua poesia na gravação de American Prayer onde declamava seus belos poemas entremeados por uns climas feitos bela banda. Eu tinha esse bolachão em vinil e ouvia sem parar enquanto lia seus dois livros: The Lords e The New Creatures.
A temporada de Jim Morrison em Paris foi um pé na jaca generalizado, tem um livro de um amigo dele que conviveu na época que diz que o café da manhã era uma garrafa de Chivas e que lá pelo almoço não estava mais falando lé com creuza. Observando esta rotina dá pra imaginar que não dava para durar muito mesmo. A tormenta interior natural dos grandes criadores mais a idolatria do Star sistem levaram embora este poeta genial, que nasceu neste tempo em que a mídia precisa de mártires da intensidade pra oferecer em holocausto aos cordeiros produtivos .
Texto do Engenheiro, poeta e ensaista CLAUDIO VIGO
Ode a LA
Habito numa cidade.
Fui escolhido pra fazer
O Príncipe da Dinamarca
Pobre Ofélia
Todos os espectros que ele nunca viu
Boiando rumo ao destino
Numa vela de Ferro
Volta atrás, bravo guerreiro.
Dá o mergulhoNoutro canal
Piscina acabada de untar com manteiga
Onde fica Marrakesh
Sob as cataratas
A borrasca tumultuosa
Onde os selvagens sucumbiram
Ao cair da noiteMonstros do ritmo
Abandonaste o teu Nada
Pra ires lutar com o Silencio
Espero que tenhas saído Sorrindo
Como uma criança
E penetrado no sereno espólio Dum sonho
O homem Anjo Que dá luta as serpentes
Por amor só das palmas
E dos dedos
Mandou finalmenteComparecer esta boa Alma
OféliaVoga ensopada em sedas
Sonho de cloroDoida asfixiada
Testemunha O trampolim, o mergulhoA piscina
Eras um combatente Adamascada, amilscarada musa
Eras o empanado sol Para a noite televisiva
Sapos com chifresAtirador contra alvo amarelo
Vê onde isso acabou por levar-te
Ao paraíso da carne Entre canibais e judeus
O jardineiro foi dar Com o rígido corpo boiando
Feliz adormecido
Que matéria esverdeada é essaDe que és feito
Abram covas na pele da deusa
Cheirará Enquanto for levado
Através dos umbrais Da musica
Nenhuma possibilidade
Réquiem por um duro
Aquele sorriso
Aquele olhar porcino
De sátiroLevantou-se e pulouEnterrou-se no barro
Jim Morrison(1943-1071)
A ÚLTIMA GRAVAÇÃO DE JIM MORRISON
A ultima gravação que Jim fez antes de falecer, aconteu em Paris quando Jim vindo de férias encontrou dois musicos na rua e os convidou a gravar com ele umas músicas num estudio perto. O resultado foram sete minutos de gravação pois Jim estava completamente bebedo nao conseguindo gravar mais do que isso. Jim apresentou se no estúdio como Jomo and the Smoothies. E mais tarde foi editado pela Elektra Records com mais umas poesias que Jim havia gravado em 1969 e tem como titulo, The Lost Paris Tapes.
A arte de JIM é atemporal
Jim Morrison do The Doors foi um verdadeiro talento. Um líder, um visionário e poeta, Jim era um original. A música e a poesia que ele criou com os Doors (as portas) é verdadeiramente acima e para além dela. A "música” dos Doors é tudo de uma vez: emocionante, atemporal, e poderosa.Não admira que suas músicas sejam tão duradouras, embora esteja aí há tanto tempo, permanece ainda moderna. O proibindo é acenado, inspirando geração após geração. A prova deste entendimento universal e de inspiração pode ser visto no trabalho artístico nas galerias da web, nos livros inspirados na sua arte e na sua pessoa.
Texto da artista plástica americana MICHELE FUSCO
O fascínio de Jim Morrison
Jim Morrison era o tipo de pessoa que cativava as pessoas. Jim tinha um magnetismo que atraia a atenção de todos, seja alunos, seja os professores, ele sempre os atraia para a sua gravitação. Todos nutriam uma admiração muito grande por ele. Por quê? Por que ele era inteligente, culto. Era uma pessoa que a modernidade chamava de inter-semiótica. Lidava com cinema, dança, literatura, pintura. Era uma pessoa extremamente hipercrítica. Não suportava o conformismo e a inércia. A vida pede um sentido, e todos devem desempenhar sua pretensões. Ninguém pode fazer por nós. A liberdade não é dada, como dizia o filosofo Fichte, ela é conquistada.
Texto de Helder Modesto
JIM MORRISON como Prometeu
Poeta, pensador, escritor... Alguém que fez sua própria história; alguém que sabia que a vida é uma experiência a ser construida, lapidada, transformada; alguém que sabia que estava só, desde aquele mitico dia, quando Prometeu lhe deu o fogo roubado dos deuses. A partir dali, sabemos, estamos todos sós, sem desculpas, para construir, dar sentido a própria vida. Ele soube honrar essa herança trágica. Só os covardes morrem de inanição do espírito. Enfim, um homem singular. Habita agora o Parnaso.
Ana Maria Welt
As portas surgem como projeto literário de Jim Morrison
Tal como nos finais dos anos 1950 quando os beatniks surgem, Jim Morrison tentou unir jazz e de poesia. Ou seja, Morrison encontra um canal de musica para o seu projeto de poesia, e acrescentar-lhe um aspecto teatral. Assim improvisou dança/teatralização como parte das apresentações da banda no palco.A mítica personagem Lizard King, alter ego de Jim Morrison, apareceu em primeiro lugar no LP mais vendido “Esperando o Sol” (1968), em um poema que foi impresso no interior do registro (disco).
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Jim como inspiração
Jim Morrison foi um inquieto, questionador, brilhante e uma alma desesperado. Sua poesia e música são lendárias. Seu trabalho inspira-me, como um artista, em um nível subconsciente; sinto uma proximidade espiritual, um contato com ele. Talvez seja porque eu vejo nele, ou talvez ele chega-me através da Universal Mind (Mente Universal) a essência que liga todos nós, que todos possamos compreender e de algum modo ainda não realmente explicar.
Depois de ouvir às portas, sou levado embora, para um lugar onde o dia-a-dia deixa de existir, onde há uma verdadeira magia, perguntas, perigo, e de inspiração. E de liberdade interior. Esse Momento da Liberdade… "Eu sou um guia para o labirinto"…
É a essa luz que faz com que eu crie estas obras de arte artesanal, por vezes, adaptado a partir de fotografias, outras vezes não, mas eles são sempre imagens da poesia de JIM ; eles são como as visões do outro lado. Eu já cumpri o Espírito da Música. E, como com a sua poesia, o meu trabalho artístico visa apresentar possibilidades, e conseguir uma ampliação da visão interior e sentimento.
Texto da artista plástica americana MICHELE FUSCO
Ator da Rede Glogo - Egbberto Leão - diz que JIM MORRISON o influenciou
Protagonista de uma novela pela primeira vez, o paulistano "da gema" Eriberto também já morou em Nova York, mas se identifica com os personagens rurais das novelas de Benedito Ruy Barbosa - antes de "Paraíso", ele esteve nos elencos de "Cabocla" e "Sinhá Moça", seus trabalhos preferidos na TV.
" Fiquei tão fã do Jim Morrison que comecei a ler o que ele lia. A minha formação intelectual veio dele "
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Chegado a divagações, Eriberto de Castro Leão Monteiro, de 36 anos, gosta de conversar. Estudioso da Cabala ("é a compreensão dos mecanismos de Deus") e fã de Jim Morrison desde os 17 anos, o ator lista o filósofo Friedrich Nietzsche e o poeta William Blake como influências. Mas cita também o antropólogo Darcy Ribeiro e o cineasta Glauber Rocha várias vezes.
- Fiquei tão fã do Jim Morrison que comecei a ler o que ele lia. A minha formação intelectual veio dele - brinca Eriberto, também admirador incondicional do texto de Benedito Ruy Barbosa. - A maneira como o Zeca fala de Deus é como eu penso Deus. É como se aquelas palavras saíssem da minha boca.
- Estão faltando heróis de verdade nas tramas e os mocinhos ficaram chatos. Zeca é um herói bacana: é o "filho do diabo", mas é um homem bom, incapaz de ser injusto.
Formado em Administração pela Faap e em Arte dramática pela USP, Eriberto teve banda de rock (Hip monsters) e fez seu primeiro papel de destaque na novela "O amor está no ar", da Globo, em 1997 - interpretou o ET João, antagonista da trama.
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http://oglobo.globo.com/cultura/revistadatv/mat/2009/05/01/protagonista-de-paraiso-eriberto-leao-revela-seu-lado-urbano-em-passeio-ao-ccbb-755538349.asp#coment
CURRICULO DE JIM
Ray Manzarek, em entrevista concedida em Portugal(2008), afrma que sempre recorda de Jim como uma pessoa «assustadora», «fora do comum» e «estimulante».
"Jim era letrado e culto. Seu curriculo chama a atenção pelo que realizou: poeta, escritor, pensador, cantor, cineasta e *ensaista, e estava "escrendo uma ópera", conforme relata John Densmore, quando estava em Paris.
Jim escreveu um *ensaio bastante hermérico, publicado na revista Eye. Na Época da sua publicação, final dos anos 60, o artigo de Jim chamou muito a atenção pelo hermetismo e pela profundidade abordada no artigo, ou seja, o "Olho".
Jim, para quem já esqueceu ou não sabe, escreveu um conto em que o personagem "Billy" anda a pedir boleia pelas estradas. Billy se mete em muitas encrencas, até que é preso e condenado, pois comete assassinato. O conto evoca a idéia das viagens, andar a boleia...vagabundear, são termos que fazem parte do contexto dos anos 60/70, mas vai além, muito além; remete-nos aos arquétipos das grandes viages, dos grandes livros de lietartura, desde a Odisséia, A Divina Comédia, Cervantes, etc, etc.
O conto de Jim traz um personagem que vagueia, vagueia, mas não sabe como imprimir um sentido à sua liberdade, pois acaba por cometer assassinatos e vai para a cadeia, lugar privado daquilo que ele (o personagem) não queria. Isso nos faz lembrar de Alberto Camus, no seu "O Estrangeiro".
Jim fora muito preocupado com a liberdade, e isso se reflete profundamente em toda a sua obra. Por meio dessa personagem e por muitas outras que Jim criara, todas estão sempre enlaçadas na condição humana, sempre atreladas aos conflitos inevitáveis, mas sempre presas à condição de ter que dar um sentido a própria liberdade.
DEPOIMENTOS SOBRE JIM MORRISON
"Ele era um intelectual clássico. Ele tentou, à sua maneira, ser um Renascentista (...). Ele admirava o pensamento de Da Vinci. Eu nunca o vi sem um livro, fosse lendo ou escrevendo um. Ele era um literato".
Paul Rotchild
"A experiência de tocarmos juntos era tão intensa, tão forte...que não precisávamos fugir da realidade do dia a dia e ficar doidões".
Ray Manzarek
"Jim sempre gostou de testar as pessoas, de testá-las como ele testava suas fronteiras pessoais. Gostava de descobrir as fronteiras das pessoas que o cercavam. Apertava todos os botões internos, os da motivação para descobrir onde estavam seus muros".
Paul Rotchild
"Ele viveu 50 anos de vida em 4,5 de palco. Ele se deu por inteiro e não pediau nada em troca, a não ser: 'leiam minhas letras'. Eu o estou elogiando por chegar ao limite porque alguém tinha que fazer isso para nós, os covardes".
Jerry Hopkins
"Jim queria ser poeta. Não é fácil ser reconhecido como poeta ou ganhar a vida como poeta na América de hoje. Muito poucos conseguem isso. Acho que ele viu isso, e acho que essa tenha sido a única razão, mas acho que ele viu no Rock'n roll uma plataforma para o que queria mostrar como poeta".
Jerry Hopkins
"Jim Morrison é alguém que eu talvez tenha conhecido tão bem quanto qualquer um. Mas ainda há muito sobre ele que eu não pude descobrir".
John Densmore
"Jim Morrison é o perfeito herói mítico de nosso tempo: parte Dionísio, parte Orfeu, parte Fausto. Ele é uma “porta” para o infinito jogo da aventura humana.
Entre o seu nascimento e sua morte existe um mundo terrivelmente abismal. Foi assim que ele se definiu: “Pode-se dizer que é por mero acaso que estou realizando o que faço. Mas, na verdade, sinto-me agora como um arco lentamente tendido por mais de 22 anos que, de repente, arrojou a sua flecha. Sou sagitariano e nada em astrologia pode-se comparar a este signo: o centauro, o arqueiro, o caçador. Mas o que realmente interessa é que somos os Doors! O mundo que estamos propondo consiste num novo tipo de Oeste selvagem”.
Alberto Marsicano - Formado em Filosofia pela USP, escritor, tradutor, autor de vários livros, citarista.














