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Édipo Rei

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Teatro grego - Sófocles -

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terça-feira, 15 de maio de 2012

Jim Morrison - as portas, a percepção e o infinito



Nossos sonhos são muitas vezes limitados pela experiência. Percepções formadas através da experiência, seja ela fazer algo ou da experiência dos sentidos do complexo sensorial: o sentimento, a audição, o olfato ou a visão de algo.

No entanto, apesar desta maleabilidade de desenvolvimento e expansão positiva cognitiva que a mente deve prometer, a mente humana é muitas vezes raquítica ou negativamente afetada por essa flexibilidade potencialmente positiva.

Aldous Huxley (autor de Admirável Mundo Novo) publicou seu ensaio The Doors of Perception, em 1954, que foi baseado em suas experiências enquanto usava da mescalina.

A mescalina é o principal componente do peyote, um  cactus psicodélico utilizados na realização de cerimônias religiosas dos Nativos da America. Outra referencia de mescalina, o Dr. Hunter S. Thompson era um fã da droga e seguiu os meandros da mescalina, fortemente induzido e amplamente comemorado no seu livro “Medo e Delírio em Las Vegas” (publicado em 1972).

Para Huxley, “As Portas da Percepção” serviu como um tipo de dados de registro, um tipo de relatório filosófico que tentou trazer o sentido de tudo o que ele experimentou (e, mais importante, como ele experimentou) enquanto usava a mescalina nas suas experiências. Huxley canalizou a poesia de seu companheiro Inglês, o poeta William Blake, no título de seu trabalho.

O livro de poemas de Blake "The Marriage of Heaven and Hell " discute “as portas da percepção”.
Neste poema de 1790, Blake escreveu: "Se as portas da percepção estivessem desveladas, tudo apareceria ao homem como é: infinito. Pois o homem fechou-se em si mesmo, até que ele só consegue ver as coisas através de frestas de sua caverna".

Enquanto a poesia na Bíblia influenciou Blake nos opostos  bem e mal, é aparentemente muito distante da experiência induzida por Huxley no que se refere a mescalina;  o contraste da inocência com experiência é o foco constante na percepção e está sempre presente na obra de Blake.

Por exemplo, Blake escreveu “Canções da Inocência e Canções da Experiência”, fixando cada conjunto de 10 "canções" contra o outro. A leveza de sua inocência é explicitamente contrastada com a escuridão na sua experiência, conforme se vê nos poemas.

Da mesma forma, o poema de Blake “Céu e o Inferno" é uma tentativa poética para fundir a luz e a escuridão, o bem e o mal, inocência e a experiência num esforço para ampliar a percepção humana, ao invés de fortalecer as limitações que facilmente se ligam por dentro.

O Rock & Roll na America dos anos 1960 foi, sem dúvida, afetado pelas filosofias da percepção, experiências com drogas, mentes alteradas, xamanismo, e foi uma tentativa de ganhar um terreno mais elevado de consciência.

Uma das bandas que transformaram tanto esta época social foi The Doors. Em 1965, Jim Morrison (vocal) e Ray Manzarek (teclado) se juntaram após um encontro  na Escola de Cinema da UCLA e foram mais tarde ingressar Robby Krieger (guitarra) e Jon Densmore (bateria) para formar a banda. Morrison deu o nome da banda de “The Doors, inspirando no bardo Inglês.

"The Break on Trhou" de seu lançamento auto-intitulado The Doors, em 1967, diz:" O dia destrói a noite / Night divide o dia / ... Atravesse para o outro lado. " Suas letras são comparáveis aos contrastes nos  poemas de Blake  e da união de inocência com experiência / céu com o inferno / bem com o mal / com luz e escuridão.

Na linha final Morrisiana acima referida, os comandos que usamos têm uma força quase física para romper as paredes que limitam nossa percepção, remonta a alusão que Blake faz da caverna de Platão:

"Se as portas da percepção estivessem desveladas, tudo apareceria ao homem como é: infinito.  Pois o homem fechou-se em si mesmo, até que ele só consegue ver as coisas através das frestas de sua caverna".

"Break on through" foi a primeira canção do LP The Doors. Morrison é obscuro, sombrio, e uma imagem romantizada é sinônimo de que o poeta é filósofo. Como Byron antes dele, Morrison era um poeta da paixão e de grau mais devastador.

A iconografia de Morrison com os The Doors, homem da frente, está permanentemente gravado na consciência coletiva americana. Como muitas vezes é o caso de pessoas com forte presença de palco (que ele tinha, apesar de sua idade precoce, no inicio,  medo do palco) Morrison “incandesceu”  rapidamente.

Em "Soul Kitchen", Morrison quase hipnotiza sua audiência quando ele canta," aprender a esquecer, aprender a esquecer / aprender a esquecer, aprendo a esquecer "( The Doors 1967).

Poderia argumentar-se que através do seu próprio esquecimento, Morrison viu coisas através daquilo que Blake se referia como uma " percepção ilimitada "  de seus sonhos ilimitados e" infinitos " resultarem desejos que foram demais para ele segurar.


Vitória Helena Solvikosy - formada em Letras pela UFBA

domingo, 6 de novembro de 2011

Lançamento de livro sobre Jim Morrison



Tese de Merstrado na UFRJ (Universidade Federal do Rio de janeiro)


Título: Lendo Nietzsche e Artaud nos anos 1960


Autor: MACHADO FILHO, Lino Clodoaldo

Orientador: AMARAL, Márcio Tavares d'

Este trabalho tem como propósito demonstrar que Jim Morrison, vocalista do grupo de rock The Doors expressou através de sua vida, seus atos e sua obra o conceito de artista trágico conforme concebido por Friederich Nietzsche. O que se pretende é identificar em Jim Morrison nos anos 60 os elementos que caracterizam uma vivência e um pensamento trágico, estabelecendo um paralelo entre seus atos e suas idéias e figuras que ao longo de outras épocas encarnaram esse mesmo caráter trágico em especial. Nietzsche, na segunda metade do século XIX e Antonin Artaud, nas primeiras décadas desse século.

Lançamento: Junho de 2012

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A poesia de Jim Morrison é estudada na França



Patricia Devaux é doutora (PHD) e tradutora de Jim Morrison para a lingua francesa. Suas traduções foram usados nas aulas do Professor de Letras Jean Rousse - da Universidade de Toulouse-le-Mirail - França, para estudar a poesia de Jim Morrison.



Universidade de Toulouse-le-Mirail - França


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Jim Morrison como reencarnação de Dionísio



O CULTO AO REI LAGARTO

por Delia Morgan
Adaptação: Ana Welt


I. O Deus do Rock:


Jim Morrison - estrela do rock, poeta, profeta, xamã elétrico, e deus encarnado. O vocalista da banda de rock dos anos 60 conhecida como The Doors, Jim Morrison se identificava fortemente com Dionísio.
The Doors foi o primeiro grupo de realmente fazer shows de rock como ritual, como um meio de levar o público numa viagem psico-religiosa. O nome da banda vem da literatura inglesa, do genial poeta William Blake, da citação: "quando as portas da percepção são desveladas, vemos as coisas como elas realmente são – infinitas”. "Morrison descreveu sua missão em termos de tentar "Break On Through" para uma maior realidade: "Há coisas que são conhecidas, e as coisas que são desconhecidas, entre elas estão as portas". Recitava o poeta californiano, outra referencia ao bardo Inglês.


Morrison, como um "deus grego de beleza” a sua paixão ardente e escura personalidade misteriosa, tem sido considerado um encarnação de Dionisio. Ele certamente tentou trazer o xamanismo e drama grego à música e levou aos palcos, ele tentou tirar as pessoas de suas complacências, imerso em êxtase e visão libertadora. Desde a sua morte em tenra idade, em 1971, uma seita cresceu em torno dele, muitas pessoas, inclusive eu, sentimos sua presença como força orientadora, construíram altares para ele. Houve até uma primeira igreja dos Doors uma vez.



Morrison foi, além de tudo, um homem brilhante como só ele era, e ousado. Ainda muito jovem, em sua adolescência, ele tinha lido muito sobre xamanismo, antiguidade e mitologia, como "James Frazer, The Golden Bough" (muitos dos quais são sobre Dionisio), ele também foi completamente tomado pela visão apaixonada de Friedrich Nietzsche sobre Dionísio, como está tão bem retratada em "O Nascimento da Tragédia".


Um dos últimos livros que ele estava lendo antes de sua morte foi o volumosos e desafiador Ellen Harrison "Prolegômenos para o Estudo da Religião Grega ", que também é sobre Dionísio. Parece-me que Morrison se deixou possuir completamente por Dioniso, até que o homem e deus estavam irrevogavelmente fundidos; ele carregava a tocha da sua mítica visão dionisíaca por todo o caminho até a sua morte.


Infelizmente, porém, a maioria das pessoas nunca se "atentou" para o que ele estava tentando fazer o tempo todo, que era a religião. Críticos do Rock chamavam-no pretensioso demais, e poucos deles sabiam o suficiente sobre o mito e religião para entender a proposição do poeta. O excelente livro de Ray Manzarek "Light My Fire "fala de uma história pessoal dos Doors, e também sobre Morrison como Dionísio.



Aqui estão apenas algumas citações de músicas de Morrison e poesia, onde o escuro desliza através do dionisíaco místico:


"Eu apelo aos deuses das trevas ocultas de sangue ..."

"Onde está o vinho que foi prometido, o novo vinho ...?"

"Nós poderíamos planejar um assassinato, ou começar uma religião ..."

"Eu prometi que iria me afogar em vinho místico aquecido ..."

"Vamos reinventar os deuses, todos os mitos das idades;

celebrar os símbolos do fundo das florestas antigas ... "

"Eu sou um guia para o labirinto."


II. Perspectivas sobre o mito Morrison:


Alguns autores perspicazes e críticos de música da atualidade têm sabido capturar o elemento dionisíaco na filosofia de Morrison e de suas performances, enquanto outros têm vindo a perceber isso em retrospecto.


(Há outros, ainda, que nunca capturaram, que não conseguem entender o porquê de todo o alarido.)


The Doors - o sentimento espiritual e a conexão com o Paganismo


Durante os anos 1960, bandas cantaram o amor, a paz enquanto que o ácido fazia girar. Mas para os Doors foi diferente. As noites pertenciam ao deus Pan e a Dionísio, os deuses da orgia e do renascimento, e as canções chamando pelas potentes paixões - o pesadelo de Édipo "The End", o galope de fôlego " Not To Touch The Earth ", o doom de "Hyacinth House", o êxtase do "Light My Fire, "The Undertones escuro e desconfortável de" Can't see your face in my mind", e à perda de consciência na sedutora "Crystal Ship". E como Dionísio, Jim Morrison voluntariamente se ofereceu como um sacrifício para ser rasgado, sangrar, morrer, renascer ainda outro vez para a noite em uma outra cidade.

O tema paganismo/Dionísio é ampliado por Danny Sugerman na introdução da famosa biografia de Jim Morrison, intitulado "No One Here Gets Out Alive".



AS PORTAS E OS MITOS


Sugerman por Danny Sugerman


"Embora os favoritos dos deuses morrem jovens, mas também vivem eternamente na companhia dos deuses" - Fredrich Nietzsche, O Nascimento da Tragédia


Uma conto de iniciação aos mistérios da deusa Isis sobrevive em apenas uma passagem, um texto antigo em que se lê:

“Eu me aproximei da fronteira da morte, eu vi o limiar de Perséfone, que percorre todos os elementos e voltei, eu vi na meia-noite o sol, brilhando em luz branca... chegando perto dos deuses superiores e dos mortos e adorando eles na mão”.
Isso tudo aconteceu durante a noite. Com música, dança e performance. O concerto como ritual, como iniciação. O feitiço. Elementos extraordinários foram soltos para que residam no éter por centenas de milhares de anos, dorme dentro de todos nós, exigindo apenas um despertar.

Naturalmente, as drogas psicodélicas, bem como o álcool podem favorecer a desenrolar dos acontecimentos. Um musicólogo grego dá a descrição de uma Báquica iniciação como catarse: "Este é o propósito da iniciação a Baco, que a ansiedade depressiva das pessoas, produzidas por seus estados de vida, ou de algum infortúnio, sejam eliminados através de melodias e danças do ritual".



Existe um estranho fascínio tentador evocados por fragmentos de antigos mistérios pagãos: as trevas e a luz, a agonia e o êxtase, o sacrifício e a bem-aventurança, o vinho e os ouvidos do grão (Fungos alucinógenos). Para os antigos era o suficiente para saber que há portas para uma dimensão secreta que poderia abrir para aqueles que sinceramente procurou. Tais esperanças e necessidades não desapareceram com o tempo. Jim Morrison conhecia isso. Morrison foi a primeira estrela do rock a saber falar das implicações míticas e poderes arquetípicos do rock 'n' roll, sobre as propriedades ritualísticas num concerto de rock. Para isso, a imprensa o chamou de pretensioso:
"Não leve isso tão a sério, Morrison... é apenas rock 'n' roll.


Jim sabia que eles estavam errados, mas não discutiu. Jim sabia que a música é magia, o desempenho é um culto, e ele sabia que o ritmo pode libertá-los. Jim era muito consciente da importância histórica do ritmo e da música no ritual para os shows ser apenas acidental.


Do seu filósofo favorito, Friedrich Nietzsche, Jim obteve consolo e incentivo na exortação para "dizer sim à vida". Eu nunca acreditei que Jim estivesse em uma corrida para a morte como tantos já disseram, e até hoje ainda é difícil julgar a forma que ele escolheu para viver e morrer. Jim escolheu intensidade à longevidade, o dever ser, como disse Nietzsche, "aquele que não nega", que não diz não, que se atreve a criar a si mesmo. Uma citação de seu mestre Nietzsche em que Jim seguramente a encarnou, é:

"Dizer sim a vida mesmo na sua estranheza e nos problemas mais difíceis, a vontade de viver, a alegria sobre a sua própria inesgotabilidade no sacrifício mesmo em seus modos, isto é o que eu chamo de Dionísio, que é o que eu entendo como a ponte para a psicologia do poeta trágico. Não para se livrar do terror e piedade, não para limpar-se de um efeito perigoso ou por sua descarga veemente, mas para ser si mesmo, a alegria eterna de se tornar para além de todo o terror e piedade”.


Foi a sede insaciável de Jim pela vida que o matou, e não qualquer inclinação a morte.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

JIM MORRISON: RITUAL E A FORÇA DO MITO





Jim Morrison: símbolo mítico e ritual. Sem dúvida, Jim Morrison foi um dos símbolos mais significativos dos anos sessenta e setenta, não só no domínio da música, do rock, mas é uma das figuras mais emblemáticas no desenvolvimento da revolução sexual. Podemos confirmar que a sua validade ainda hoje existe e se expressa de diferentes maneiras.

Jim Morrison figura entre os fãs ao redor do mundo, que interagem constantemente no mundo virtual da internet, trocando idéias, avaliações e percepções dos fundamentados idílicos ou como narrações que levam à contínua construção da lenda, do mito, do Rei Lagarto.

Além disso, em termos etnográficos, sob a premissa de que símbolo remete ao mito e, portanto, o rito (Melichar 1996:89), foram obtidos dados de campo no cemitério Père Lachaise para assinalar o aniversário da morte de Morrison, em 03 de julho de 2001, registrando aspectos tanto da parafernália cerimonial e associado com o ritual como motivações e interesses daqueles que foram ao túmulo do herói nessa ocasião.

A hipótese sobre as ações dos fãs de Jim estão no túmulo onde os seus restos mortais se encontram, eles são feitos rituais que são realizados em uma base cíclica, além de Lizard King sobre a construção de uma série de narrativas que se constituem como versões diferentes de um mito. Por mito se entende aquilo que se opera no discurso meta-histórico no qual sinais tornam-se portadores de significados simbólicos. Os eventos reais ou personagens como símbolo (Navarrete, 1999: 245). Em outras palavras, "O mito tem sua língua e aparece na forma narrativa com arguição, tem estilo. Muitas vezes, porém, a beleza tem um história cultural, e a distribuição cultural é contraditória da instituição cultural e como tal, tem funções e significações psicológicas social e religiosa. "(De Waal 1975:209 - 210). O sentido do mito como representação da unidade imaginária e identidade, as influências das práticas sociais dos fãs do Lizard King, fornecendo uma imagem e um sentimento da unidade, independentemente da idade, nacionalidade e posição ou status (cf. Shantz 2000), que reflete não só no engajar e interação diária, mas também através da sua participação em rituais, como ocorre anualmente em Père Lachaise, ou nos encontros de Saraus, livrarias, comunidades na internet, etc.

De acordo com o exposto, e como parte da hipótese acima referida, “qualquer evento, pessoa ou lugar pode ser investido com significado simbólico no discurso histórico e assim, adquirir o estatuto mítico"(Navarrete 1999:244), portanto, consideramos que os fãs e as fãs de Jim Morrison, foram construindo um mito em torno da figura do cantor, desde os tipos de narrativas posições que eles próprios, independente de terem plasmado em seus imaginários como fantasiosas ou reais, constroem uma história em que Morrison surge como herói, semideus ou um deus. Desde pelo menos que a palavra "herói" nos remete, Jim faz parte do "vocabulário da mitologia (e, portanto, mesmo da antropologia religiosa”, mas também de vocação moral ou política, ou... Teatro e muito mais, dentro da esfera ampla da literatura ..."(Augé, 1993:177). Isto é, o mito Lizard King oferece aos seus seguidores um mundo vivo, articulado e carregado de amplos signos e valores significativos.
Em cada mito fala-se de personagens com qualidades especiais, ou sobrenaturalmente, cujas ações comuns com o mundo cotidiano "não pode ser de um herói e, portanto, contribui para dar sentido ao cosmos como uma estrutura social, referindo-se aos valores arcanos dá sentido à ordem ou ao caos e que são decretados ritualmente (cf. Eliade, 1983).

Com base nesses parâmetros, propõem um mito baseado no canônico datado de uma série de manifestações de fãs, onde cada um, mesmo obedecendo a um sentido pessoal e diferente, cada qual encontra os denominadores comuns a seguir, o que faz mover energias internas, psíquicas, as quais dão sentidos e direção.
Primeiro, os atributos físicos do personagem, beleza andrógino - qualificado mesmo como apolíneo -, faz com que eles se sentissem atraídos para essas qualidades. Ele atraiu para essa combinação arquetípica, esses parâmetros estéticos e visuais, sob a batuta acústica, rítmica das composições líricas controversas para a época. Além disso, nas sua aparições em público, sua conduta foi proposta contra a ordem estabelecida e provocou o caos promovido tanto entre os que assistiram shows dos Doors, como entre os que mantinham a segurança local, ou seja, a policia. Morrison provocava as massas com as declarações contrarias a ordem estabelecida, mas muitas vezes incluía seus próprios seguidores. Por outro lado, várias declarações sobre o seu conceito de liberdade, Morrison encorajava as pessoas a quebrarem as grades da prisão que cada ser humano constrói, que as faz sentirem-se incapazes de enfrentar seus medos mais profundos, como medo da sexualidade e do erotismo, abrir a mente para novas experiências, a proximidade da morte, o finito, a vida.

Estes são os princípios que fizeram da vida de Morrison uma figura importante, um herói em plena efervescência ante um mundo que parecia largar a própria pele, enquanto o Rei Lagarto propunha a metamorfose das velhas formas engessadas, cristalizadas e, portanto, "guia" do labirinto. Após sua morte, as mensagens polissêmicas que Jim deixou continuam seu percurso histórico, sempre emitido, tanto por suas ações e significados, contribuições para a sua validade e confere atribuições extraordinárias, em alguns casos podem ser classificados como místicas.

A história da vida de Jim Morrison é inerentemente complexa em muitos aspectos, o que muitas vezes torna difícil de entender em detalhes, inclusive com referência à sua morte. Sua vida foi cheia de acontecimentos importantes para todos envolvidos nos levantes dos anos 60. E ainda dá sentido e relevância
para fornecer pontos de referência de um discurso contra as normas estabelecidas, na busca da liberdade.

Jim, como um bode expiatório para os loucos anos da contracultura, desempenhou o papel de desintegrar a ordem social através da promoção da crise sacrificial a ocorrer; ou seja, é transformado em Morrison responsável pelo caos e, portanto, torna-se um Salvador. Por causa de sua morte, voltou à ordem, o bode expiatório é odiado e ao mesmo tempo, o objeto de veneração (cf.Melich 1996).
Ele, em sentido mítico, representa a sua morte(e dos fãs, se assim o seguem) mas que é devolvida no fim, tal como rege o evangelho. Não preservar a vida: “ perder a vida para ganhá-la. Assim o bode expiatório é odiado e ao mesmo tempo, o objeto de veneração (cf.Melichar 1996:155).

A morte dá lugar à imagem e é mantida viva no padrão das substituições, transformando e promovendo-a em efígie, junta-se ao panteão das religiões, o caráter, o modelo, que dá significado e que será atribuído e concebido como um herói, moldado em imagem, configura-se e é endeusado e se tornou símbolo (Augé2001:32).

Com a morte do homem-deus começa a construção mito, da lenda, perpetuado e modificado dinamicamente através do tempo, e cuja função é servir como uma referência para dar uma ordem ontológica e existencial, aderir à figura de culto através de caminhos que são expressos no ritual (Eliade 1983:149-150).

O mito constitui-se como uma sanção, a carta fundacional da ação ritual (Díaz Cruz 1998:246). O rito se caracteriza por ser um ato simbólico que consta de um espaço cênico, espaço constituído por um palco, uma estrutura temporal, atores envolvidos na ação simbólica, organização de eficácia simbólica (Melichar,1996:90), então, “o ritual é a quintessência do costume, hábitos, pois representa a destilação e condensação de muitos costumes seculares e regularidades naturais comuns a todos" (Turner 1980: 55).

No cemitério de Père Lachaise a tumba do rei lagarto constitui-se uma área, um local sagrado, que é praticamente desprovida de símbolos, que carece de elementos icônicos especiais, exceto a placa de bronze colocada em 1991, com uma inscrição em grego antigo*, cujo significado escapa aos fãs que se reúnem lá. Consequentemente, as manifestações de culto envolve a tentativa de "construir" mediante elementos de materiais, um espaço especial. Então, coloque-se a parafernália pesada utilizada no ritual, que é uma série de representações icônicas do uso de espaço que continuamente resacralizam os que chegam ao local e são participantes de uma religião secular que se expressa, ademais, por não ser formalizada, além de ser mais discursivamente em graffiti e que, dialeticamente, é formalizada pela ação reiterativa, repetitiva, estruturadas pelos fiéis a Morrison que, desta maneira, estabelecem uma conexão com o deus-homem, com seu espírito e com a sociedade. Essas atividades, aparentemente públicas, tem sentido e significado dependendo do contexto e das atividades previas ai desempenhadas e de seu significado preestabelecido, baseando-se em signos codificados e cujos significados são descodificados.

O ritual é simbólico, procura e ajuda a construir conexões com o ambiente além do mundo físico e consciente (Gazin-Schwartz 2001:268). O ritual acontece em um local concebido para esse fim, onde se situam os restos do personagem icônico; materiais especiais simbólicos são comumente usados para relacionar à vida e os hábitos de Jim, que os dota de sentido especial e sagrado, aqueles que se reúnem para celebrar o ritual e realizar movimentos estilizados ou regulares, incluindo a quase obrigatoriedade tirar fotos que perpetuam o momento da visita ao local e participação nos rituais, além de proferir palavras para recordar o Rei Lagarto, incluindo cantarolar suas canções ou “recitar" seus poemas. No entanto, uma parte coloca sobre o tumulo diversos escritos, nem sempre visíveis aos olhos de outros, como exclusivos mistérios ocultos. No ritual cria-se ou recria-se uma relação especial entre os seres vivos e o homem-deus, entre o mundo e o submundo, as relações que podem ser um reflexo do cotidiano ou o inverso.

As práticas rituais são formas para que os indivíduos organizem a ambigüidade na vida social e nas relações com o mundo natural; O ritual foi projetado para criar um senso de comunidade entre os participantes, é um mecanismo que fortalece laços de solidariedade e que contribui para a construção de elementos de identidade (cf. Turner, 1988). O ritual faz parte da série de comportamentos que compõem a cosmovisão de seus participantes (Gazin, Schwartz 2001:268). As mesmas práticas discursiva manifestada diariamente por meio de mensagens dos adeptos da internet a Morrison são, em grande medida, práticas de natureza ritual que reforçam as estruturas cotidianas normais e comuns entre os indivíduos que navegam na internet, dialogando sobre deus-homem em busca de uma comunhão dentro de um campo simbólico e espiritual; a comunicação virtual contribui, pararelamente, a construção e ao dinamismo do mito e suas muitas versões no âmbito do simbolismo do rito.

A atividade ritual visa estabilizar as relações entre homens e combina a constituição da alteridade e identidade. Esse tipo de prática atribui a cada indivíduo um lugar e identidade social como a alteridade dos elementos individuais e únicas que se referem a sua origem, e visa também à interpretação e ao domínio de acontecimentos como a morte. O ato ritual permite a constituição da alteridade e da consciência de simbolização, desde que haja um domínio de dois eixos e as duas línguas do rito, ou seja, o da identidade e da alteridade (Augé 1995:84-86).
As identidades são formadas com base em um elemento que se aglutina e que relativo a este se afirma através da alteridade que transcende a sepultura em torno do personagem. A celebração do rito anula as diferenças resultante em função do sexo, idade ou, por exemplo, os indivíduos que professam alguma religião. A comemoração acontece em cada aniversário da morte do Rei Lagarto; é organizada em torno dos diferentes alterações do estado funcional na encenação, que envolve a responsabilidade para a ordem e os espectadores, gerando uma identidade comum que unicamente se constitui fixa no tempo e espaço da cerimónia ritual no cemitério, bem como no ciberespaço da internet (Augé 1995: 88-89).

Profeta, herói, personagem sagrado, semi-deus, guia, deus, senhor, rebelde, mártir, Apolo, ser privilegiado com a sua inteligência e beleza física, dionisíaco, heterosexual, beberrão...


Artigo publicado na Revista da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidad de La Rioja - Espanha
copiado do blog: www.heldercolavitemodesto.blogspot.com

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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Formação de Jim e Ray

Um aluno exemplar que sempre falava nas horas erradas e que tinha o desenho como hobbie; esboços grotescos e complicados tingidos numa aura de sexualidade aliado à colagens de histórias em quadrinhos retiradas dos jornais.

Gênio precoce! Sabia tudo sobre literatura e poetas, elevando seu conhecimento a altura de seus grandes mestres. Devorou Nietzsche, Céline, Rimbaud, Antonin Artaud, Lautreamont, Gérard de Nerval, Colin Wilson, Jones T. Farrel, Lovecraft, Plutarco, Baudelaire, Heidegger, Sartre, Michael McLure e outros escritores “beat” ou malditos. Balzac e Freud, Gustave Le Bom Normam Oliver Brown, Joseph Camppbel o influenciariam e vários livros ingleses de Demonologia dos séculos 16 e 17.

Antes de iniciar na Faculdade de cinema em Los Angeles – na UCLA, Jim Morrison passou 3 anos na FSU Universidade Estadual da Florida. Lá ele tirou cursos influentes como “Filosofia do Protesto” (Satre, Heidegger, David Hume, Rousseau, Montaigne e Nietzsche) e “Psicologia das Massas” (Freud, Gustav Le Bom, Sandor Ferenczi), estava se tornando um escritor guardando diários e cadernos de apontamento onde registrava observações, pensamentos, fragmentos e parágrafos de livros. Mas Jim mudaria seus planos. Brilhantes papéis no gênero da literatura e psicologia levaram Morrison a transferência para o programa de estudos de cinema na Universidade da Califórnia em Los Angeles. A família de Morrison recusou-se a apoiar o seu filho na sua nova aventura e deixou de pagar suas despesas pessoais, bem como suas taxas de matrícula de estudante.mas transfere-se para a UCLA onde bacharelou-se em Cinema.

Já na UCLA, no departamento de cinema, atuou em peças teatrais, andou pelas alamedas do campus e estudou longas horas sozinho em seu pequeno apartamento ou nas bibliotecas, passou o tempo escrevendo ensaios sobre o cinema que mais tarde seriam publicados em seus livros.

Num belo dia de sol, depois de se graduar em cinema, Jim e Ray se reencontram. Esse fato irá mudar a trajetória dos dois. Ray comenta: "O Jim e eu licenciamo-nos na UCLA, no departamento de cinema em 1965 – ele com um bacharelado e eu com um mestrado. Ele disse que se ia mudar para Nova Iorque e eu pensei que nunca voltaria a vê-lo. Quarenta dias e 40 noites depois, quase biblicamente, estava sentado em Venice Beach a meio do dia a pensar no que ia fazer da vida, e vejo o Jim Morrison a caminhar à beira-mar, com o Sol por trás, diamantes a sairem-lhe dos pés. Ele era como Krishna, como um novo Deus azul. O cabelo tinha crescido e ele começava a parecer-se com o David de Miguel Ângelo. Acenei e chamei-o. Veio ter comigo e disse:

“Que andas a fazer?», respondi «Nada, meu. E você?». «Tenho andado a escrever canções». Isto chamou-me logo a atenção e então disse-lhe «Senta-te, e canta-me uma dessas canções». Ele era muito tímido e tinha uma voz muito suave, como a do Chet Baker. A primeira canção que cantou foi «Moonlight Drive», e assim que ouvi a letra, «Let's swim to the moon, let's climb through the tide, penetrate the evening that the city sleeps to hide», pensei «Uau, meu. Psicodélico... Jim já havia me contado que queria ser escritor, sociólogo, queria escrever peças”.

Bibliografia consultada

MANZAREK, Ray. Light My Fire – My Life With The Doors. The Poet In Exile.

RIORDAN James & Jerry Prochnicky Break on Through: The Life and Death of Jim Morrison, 1992.

JERRY HOPKINS DANIEL SUGERMAN. Daqui ninguém sai vivo.

MODESTO, Helder. O Navio de Cristal – Uma interpretação da vida e das obras literária e musical de Jim Morrison.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Jim Morrison pela Professora Menocal - da UNIVERSIDADE DE YALE


María Rosa Menocal é uma estudiosa da cultura medieval e de história. Menocal ganhou um B.A., M.A., e Ph.D. da Universidade da Pensilvânia. Antes de ingressar no corpo docente da Universidade de Yale, em 1986, ela ensinou Filologia Românica na Universidade da Pensilvânia.


Jim Morrison deixou sua marca como o líder da mítica banda The Doors, mas 38 anos após sua morte, é sua poesia que está atraindo a atenção em todo o mundo.

Quando criança, ele leu exaustivamente. Ele estava com cerca de 10 anos, quando escreveu seu primeiro poema, "The Pony Express". "Foi um daqueles poemas tipo de balada", uma vez ele lembrou, acrescentando: "Eu nunca poderia traze-lo à consciência novamente, no entanto."

Apontado pela imprensa como a estrela dos Doors, bonito, Morrison também se destacou como um intelectual. Ele lia e citava o poeta francês do século 19 Arthur Rimbaud, e Charles Baudelaire, assim como o filósofo alemão Friedrich Nietzsche.

Quando as portas do Teatro Aquarius, no Sunset Strip, em julho de 1969, abriram-se, Morrison - barbudo, meio gordo e de óculos laranja pequeno - surge lendo em voz alta um poema que ele havia escrito após a morte recente do guitarrista Brian Jones, dos Rolling Stones. Cópias do poema foram jogadas para a multidão.

Morrison foi quase obsessivo em desenhar uma linha entre poesia e letras de rock. Essa característica chama a atenção da medievalista Maria Rosa Menocal, da Universidade de Yale, que diz: "Se ele tivesse sido escritor no século 13, não teria havido nenhuma distinção - poesias eram escritas para canções, como faziam os trovadores".

Como observa Menocal, 37, há uma nota triste para o surgimento do poeta Morrison: A maioria das livrarias colocar sua poesia em suas seções de música. Os livros também são publicados sob o nome de Jim Morrison e não James Douglas Morrison.

O motivo, admite Pedro Villard Gethers, é "vendem mais".

Ele foi "o maior poeta da segunda metade do século 20", diz Maria Rosa Menocal, professora de Literatura Medieval na Universidade de Yale. Ela está trabalhando em uma revisão de poesia publicado postumamente por Morrison.

E Wallace Fowlie, um renomado professor de Literatura francesa na Universidade de Duke, de 82 anos, faz palestras sobre Morrison em todo o país. Ele encontrou paralelos entre Morrison e o poeta francês Arthur Rimbaud (séc. 19), vendo ambas como "o rebelde como artista".



Matéria publicada no Jornal Los Angeles Times


terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Dificuldades e Clichês de Oliver Stone


Ébrio, letrado, infinitamente talentoso, Jim Morrison (1943-1971) foi o poeta romântico do rock na década do flower power. Com seus Doors, incendiou multidões ao dançar como um pele-vermelha e gritar seus versos de imagens fogosas e dionisíacas. Cabelos longos, lábios carnudos, não à toa que foi apelidado de “Rimbaud dos anos 60”. Esse sátiro dourado e promiscuo parece ter atualizado para a era da psicodelia os ensinamentos do poeta francês que assegurou que um poeta se faz vidente “por um longo, imenso e deliberado desregramento de todos os sentidos”. Para Rimbaud, o poeta é o “supremo sábio” que esgota todos os venenos “para guardar apenas a essência”.

A frase cai como uma luva sobre a existência desse filho de um severo oficila da marinha, que um dia se encontrou com um tecladista cool e intelectual de óculos fundo- de-garrafa chamado Ray manzarek, para com ele (e mais dois caras – John Densmore e Robby Krieger) engendrar The Doors, uma banda sublime, com titulo inspirado no livro As Portas da Percepção, de Aldous Huxley (este por sua vez, na cola do poeta revolucionário William Blake, que há dois séculos atrás escreveu: “se as poetas da percepção fossem purificadas, tudo pareceria como é: infinito”). O menino Jim se iluminou com um Xamã nas planícies do Novo México e morreu tragicamente numa banheira parisiense aos 27 anos.

Não deixa de ser estranho que o narrador no cinema, desse flerte homérico e trágico entre rock e poesia, tenha sido justamente Oliver Stone (após o namoro de Brian de Palma, Francis Ford Coppola e Scorsese com o projeto), o diretor do dramático Platoon e dos polêmicos Wall Street, Salvador, O Martírio de um Povo e Nascido em 4 de Julho. Stone baseou-se no livro No One Gets Out of Here Alive, de Sugerman e Jerry Hopkins, biografia de Morrison publicada em 1980, cujos direitos foram adquiridos pelo produtor Bill Graham em 1985. formado em cinema pela Universidade de New York, ele foi roteirista de O Expresso da Meia-Noite e Scarface. Homem bem-nascido em Manhatan (de origem judaica e francesa), o diretor se notabilizou pelos roteiros politizados e filmes com temas controvertidos e quentes.

ANJO CAÍDO - Stone ouviu The Doors pela primeira vez em 1967 quando servia no Vietnã (onde foi ferido e condecorado) e ficou impressionado com a visão apocalíptica, o erotismo e a postura diferente da de outros grupos: “A música de Morrison representa, até hoje, a busca de uma nova consciência e de novos patamares de liberdade”.

Com uma reconstituição caprichadíssima, 40 milhões de dólares (Stone cercou-se de experts em anos 60 e efeitos da Light e Magic) e um protagonista – Val Kilmer (espadachim de Willow) - que fisicamente é o próprio xeros do band-lider mitológico (além de um ator de primeira), o diretor articulou com fervor essa trip em celulóide, centrando-se nas questões cruciais que fizeram os Doors não serem apenas “mais uma” banda na história do rock. Profundamente inflamado e dado a excessos, lembranças vitais e rupturas (como expressa na bela canção “Break on Through”: “Ainda se lembra quando nós chorávamos?”), Morrison cresceu entre obsessões freudianas (como as que desabafa em The End), envolvendo-se com misticismo indígena e drogas, chaves da abertura espiritual. Numa sintética seqüência ao som de “The End”, Stone joga todo esse elenco de referencias básicas na construção do mito e sex symbol Morrison, cavaleiro da tormenta do sonho hippie, delirando entre deserto e great golden copulacion (como diz no poema “Uma Oração Americana”). Suas atitudes chegaram a afrontar bastante o establishment, provocando repressão policial, a vigilância do FBI e um processo, além de boicotes em rádios e gravadoras. Uma das seqüências traz sua famigerada indecent exposure – o concerto em Miame em que abaixa as calças ao som de “Touch me”. Ele tinha uma insolência que a industria da musica e a midia nunca domaram. Uma musicalidade, uma verdade e uma essencialidade que o tornou singular. Mas o anjo caído nunca sabia a hora de parar, e não parou.

Muitos dos problemas do filme são decorrentes dos próprios limites de Stone. Dada à expiação da mea culpa social e a generalizações (às vezes nada sutis), a câmara do diretor parece ter dificuldade em enfrentar (com riqueza cinematográfica) as infinitas possibilidades que o tema oferece. Apesar de contar direitinho a historia, em varias seqüências Stone fica preso aos clichês da fórmula sex, drugs and rock and roll, pontuados por um “contexto” (guerras, movimentos políticos, etc). Certas declarações de Stone sobre seu filme, revelam uma visão que captura Morrison num modelo engajado, mas “assimilável”: “Morrison foi um soldado que transcendeu as fronteiras da mente em nome da arte. Ele foi um guerreiro, um buscador, um poeta na linha de frente, cuja obra sempre enfocou sexo e drogas, dois temas que qualquer rapaz que esteve no Vietnã conhece melhor que ninguém”.

HETEROSSEXUAL – a decadência física após um etrelato perturbador, que culmina na morte (ainda discutida) de colapso cardíaco, em 1971, além da vida confusa com a namorada Pámela (Meg Ryan), transformada por Stone em mais boazinha do que na vida real, completam o coquetel. Em parte limitado pelos produtores (eles não quiseram encrencas com os pais de Pamela Courson, que morreu de overdose em 1974), Stone foi discreto ao abordar a vida intima do popstar, criando um ídolo hedonista, descontrolado, mulherengo e “indubitavelmente” heterossexual. O carismático líder de um grupo nascido mais para a eternidade, após um brilho fugaz, do que para a fortuna e o êxito mundial em vida (como Beatles, Stones, Who, etc.). O filme satura um pouco ao insistir nas imagens de lassidão à beira do abismo e baixo-astral junkie de um de seus cambaleante, de cabelos desregrados e calça de couro; mas sua honestidade é exemplar na criação de um filme-homenagem.

Stone é um historiador competente e bom narrador, mas não tem nada de genial ou perigoso (como certa parte da imprensa o pintou). Foi extremamente feliz na seqüência em que mostra o encontro de Morrison com o glacial e estranho Andy Warhol (Crispin Glover, perfeito) e sua corte mundana da Factory. E ao registrar um certo túmulo pichado e florido no cemitério francês Pére Lachaise, onde o poeta dissoluto e pagão repousa ao lado de Balzac, Oscar Wilde, Marcel Proust e Edith Piaf, entre outros nomes divinos. O home que escreveu que “enquanto o corpo é devastado, o espírito fica mais forte”, certamente descansa em ótima companhia.


Antonio Querino Neto – Revista Set, 1991. Antonio Querino é especializado em Jornalismo Cultural. Trabalhou como crítico de cinema e livros nas revistas SET, ISTO É e no Caderno 2 do jornal O Estado de São Paulo.

Jim Morrison - O Rei Lagarto

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Nietzsche - Zaratustra

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CURRICULO DE JIM

"Jim foi um gênio que tocou a todos nós. Sua sensibilidade e sua inteligência estavam acima da época, mas nenhum gênio vive para o seu tempo; ele vive para um tempo futuro. O tempo de Jim viria somente 20 anos depois de sua morte".

Ray Manzarek, em entrevista concedida em Portugal(2008), afrma que sempre recorda de Jim como uma pessoa «assustadora», «fora do comum» e «estimulante».

"Jim era letrado e culto. Seu curriculo chama a atenção pelo que realizou: poeta, escritor, pensador, cantor, cineasta e *ensaista, e estava "escrendo uma ópera", conforme relata John Densmore, quando estava em Paris.


Jim escreveu um *ensaio bastante hermérico, publicado na revista Eye. Na Época da sua publicação, final dos anos 60, o artigo de Jim chamou muito a atenção pelo hermetismo e pela profundidade abordada no artigo, ou seja, o "Olho".

Jim, para quem já esqueceu ou não sabe, escreveu um conto em que o personagem "Billy" anda a pedir boleia pelas estradas. Billy se mete em muitas encrencas, até que é preso e condenado, pois comete assassinato. O conto evoca a idéia das viagens, andar a boleia...vagabundear, são termos que fazem parte do contexto dos anos 60/70, mas vai além, muito além; remete-nos aos arquétipos das grandes viages, dos grandes livros de lietartura, desde a Odisséia, A Divina Comédia, Cervantes, etc, etc.

O conto de Jim traz um personagem que vagueia, vagueia, mas não sabe como imprimir um sentido à sua liberdade, pois acaba por cometer assassinatos e vai para a cadeia, lugar privado daquilo que ele (o personagem) não queria. Isso nos faz lembrar de Alberto Camus, no seu "O Estrangeiro".

Jim fora muito preocupado com a liberdade, e isso se reflete profundamente em toda a sua obra. Por meio dessa personagem e por muitas outras que Jim criara, todas estão sempre enlaçadas na condição humana, sempre atreladas aos conflitos inevitáveis, mas sempre presas à condição de ter que dar um sentido a própria liberdade.




DEPOIMENTOS SOBRE JIM MORRISON



"Ele era um intelectual clássico. Ele tentou, à sua maneira, ser um Renascentista (...). Ele admirava o pensamento de Da Vinci. Eu nunca o vi sem um livro, fosse lendo ou escrevendo um. Ele era um literato".

Paul Rotchild

"A experiência de tocarmos juntos era tão intensa, tão forte...que não precisávamos fugir da realidade do dia a dia e ficar doidões".

Ray Manzarek

"Jim sempre gostou de testar as pessoas, de testá-las como ele testava suas fronteiras pessoais. Gostava de descobrir as fronteiras das pessoas que o cercavam. Apertava todos os botões internos, os da motivação para descobrir onde estavam seus muros".

Paul Rotchild

"Ele viveu 50 anos de vida em 4,5 de palco. Ele se deu por inteiro e não pediau nada em troca, a não ser: 'leiam minhas letras'. Eu o estou elogiando por chegar ao limite porque alguém tinha que fazer isso para nós, os covardes".

Jerry Hopkins

"Jim queria ser poeta. Não é fácil ser reconhecido como poeta ou ganhar a vida como poeta na América de hoje. Muito poucos conseguem isso. Acho que ele viu isso, e acho que essa tenha sido a única razão, mas acho que ele viu no Rock'n roll uma plataforma para o que queria mostrar como poeta".


Jerry Hopkins

"Jim Morrison é alguém que eu talvez tenha conhecido tão bem quanto qualquer um. Mas ainda há muito sobre ele que eu não pude descobrir".

John Densmore


"Jim Morrison é o perfeito herói mítico de nosso tempo: parte Dionísio, parte Orfeu, parte Fausto. Ele é uma “porta” para o infinito jogo da aventura humana.

Entre o seu nascimento e sua morte existe um mundo terrivelmente abismal. Foi assim que ele se definiu: “Pode-se dizer que é por mero acaso que estou realizando o que faço. Mas, na verdade, sinto-me agora como um arco lentamente tendido por mais de 22 anos que, de repente, arrojou a sua flecha. Sou sagitariano e nada em astrologia pode-se comparar a este signo: o centauro, o arqueiro, o caçador. Mas o que realmente interessa é que somos os Doors! O mundo que estamos propondo consiste num novo tipo de Oeste selvagem”.

Alberto Marsicano - Formado em Filosofia pela USP, escritor, tradutor, autor de vários livros, citarista.

William Blake

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Gérard de Nerval

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Baudelaire

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Livros de Jim Morrison

  • Últimos Escritos - Ed. Assirio & Alvim
  • Os Senhores e as Novas Criaturas - Ed. Assirio & Alvim
  • Abismos - Ed. Assirio & Alvim

Antonin Artaud

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Rimbaud

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Dionisio e o Teatro

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Centauro - Sátiros

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Satiros

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